Acampamento Farroupilha
Setembro/1999
Parque Harmonia - Porto Alegre

Cohen no arvoredo do Parque Harmonia

Porto Alegre, 29 de novembro de 1999.

Upa, que tal?!

Pois olha esse jaguara (cão ordinário) aqui novamente, registrando tudo que vê e que se passa por perto.

Bueno, desta vez foi no dia 20 de setembro, véspera do nosso grandioso 21 de setembro.

Disfarçadamente, misturei-me no meio do povo que circulava pelo acampamento farroupilha, ali no Parque Harmonia, em Porto Alegre, e saí a catar de tudo quanto via pra registrar aqui pra ti, que tá longe ou que esteve por lá.

Pois ia ir pilchado, por que evento deste tipo temos que prestigiar a cousa. Mas lá pelas tantas a patroa me disse: "- Óia que vai chover, vai chover..."

E eu no meio do barreiro melando minha pilcha de barro?
Pode chamar de marreca, mas de jeito algum!!!

Entonces fui como estou aí na foto de cima mesmo.

A chegada, num domingo às 14:00, foi coisa bem brute. Brute por que não tinha onde estacionar o Lafayette, e olha que tem espaço em volta horrores.

Mas a gauchada, graças a deus, tomou conta do ambiente.
E como, tchê! A cousa tava mais apertada que rato enfiado em guampa.

Me fui chegando assim, de fininho, entrando meio que morto, pra não chamar a atenção, e circulando fui pelo ambiente.

A primeira coisa que me chamou a atenção foi o povaréu! Bah, e era gente, tchê. E era gente pra tudo quanto é lado. Pilchado, sem pilcha, criança, adulto, cavalo, e o escambau... até cusco tinha.

Outra das cousas que me alertaram foi a quantidade de comércio que tinha. Tinha vendedor de comida, de cacareco, de traje, de indumentária, de jornal, de propaganda de rádio, de quase tudo.

Fui discutindo com a patroa que isso tinha se tornado meio comercial, se desligando um tanto da questão tradicionalista.

LEDO ENGANO!!!

Pois e antigamente, o que era o povo? Quem já leu Cyro Martins, sabe.

O povo era aquele lugar que se ia comprar alguma coisa, mantimentos; aquele ajuntamento de gente vendendo porco, o escambau. Não, não tou falando do bolicho, do povo mesmo. Pois então? Mais que justificado, ora essa! Se tem alguém que queria ver coisa comercial nisso tudo, até pode ver, por que é isso mesmo.

Não tem que ter vergonha disso, ora essas... O povo reunido em feira, em rodeio, ou coisa assim sempre se vende algo. Hoje, ou em 1930!

Entonces, assim acalmado, fui circulando pelos piquetes, CTGs e outros representantes de nossa cultura.

Indignante foi chegar no Digno Piquete Manotaço e saber que seo Beto Coelho, legítimo representante de nossas tradições, fora dormir em casa, deixando a tropa ali, em pleno piquete, tomando conta do ambiente.

Ora, seo Beto Coelho, mas que barbaridade. E o amigo ainda quer jogar truco comigo? Pois dou-lhe cola e luz (partido que se dá nas corridas de cavalos e que consiste em sair o parelheiro favorecido na frente, devendo seu competidor, para ganhar, fazer luz no laço de chegada).

A festa era hermosa e ficamos eu a patroa circulando por tudo.

Vimos a apresentação de alguns grupos musicais; quase me peguei numa tunda dum diacho que arrabichou os zóio pra patroa; juntei areia nas bota uma barbaridade; e pelaí se bamo.

Mas o bom mesmo é tu olhares as fotos. Uma imagem vale por mil palavras, donde se conclui que eu tenho aqui um crédito de 13.000 palavras, hehehehe.

Bamo tchê! Vai olhar, por que tem umas buenaças e a revelaçón me custou caro!

Clica aqui, tá cego?!

Bah, tomei dois copitos de vinho suave, já 'stou loco de especial pra escrever ainda mais, mas este mês tenho escrita pra mais de metro, donde que tu vai voltando e clicando ali em cima mesmo!

Cordialmente

El trancuchado* Cohen

* tranchuchado = embriagado, mas não muito