BAGÉ
A Rainha da Fronteira

Teu guia!
teu guia, el macanudo Cohen, em praça de Bagé


Porto Alegre, 23 de outubro de 1999.

Olá Seo Marcelo Bicca!

Mas que tal, hein?!

Pois olha eu aqui na tua terra, explorando os pontos turísticos da RAINHA DA FRONTEIRA, a famosíssima terra de macho: a cidade de Bagé, a qual se encontra a uns 60 kms do Uruguai.

Bagé, uma cidade da campanha, é essencialmente agrícola e pecuarista, tendo um escritório de compra-vende-troca gado em quase cada quadra.

Bueno, eu cheguei aqui lá pelas 23 horas, diretaço na rodoviária.


Da Rodoviária

Pois animal, não me disseste que esta rodoviária é das graúdas. Maior mesmo, só vi a de Caxias do Sul e Pelotas. E o que tinha de táxi aqui, naquela hora da noite: uns 30 a 40, no mínimo. Isso por que ainda chegam ônibus pela uma da matina, três, cinco e por aí vai.

Pernoitei no hotel que me recomendaste, muito bom: Fenícia Hotel, na rua Juvêncio Lemos, 45 - fone 53.242.8222, bem no centro. Macanudo, barato (R$ 27,00/pernoite mais café da manhã) e limpo. Bom mesmo.


Sacudindo os ossos de manhãzita

Já bem descansado, no dia seguinte, dia 20/10, atravessei a rua e cheguei na praça Silveira Martins, donde fica o coreto municipal. Coreto este inaugurado em 17/11/27. Te mete hein, cidade centenária é outra coisa, é tudo de priscas era, denotando que por aqui já tinha civilização há muito tempo . Aqui também, entupido de táxi, com seus "motoristas de praça" nos cantos da mesma.

(Aliás, abrindo parentêses, me aborreceu profundamente a explicação dada pelo pessoal que trabalha sob o coreto, que deveria ser da secretaria municipal de turismo: não tem folhetos turísticos de Bagé por que o governador cancelou o acordo com o município. Ora, e o prefeito tem que ficar esperando o governador pra fazer prospectos da SUA cidade? E não tinham postais por que era quase final do ano e as gráficas dão preferência pra outras coisas! Bah, tchê, que papelão! Ô Bagé, faça-me o favor, isso é jeito de tratar o turista?).

Espiando um tanto mais adiante, vi a igreja de Nossa Senhora da Conceição, que foi concluída em 1871 e invadida pelos revolucionários em 1893 (dá uma bispada em Página do Gaúcho - História), demolida em 1963 e cujo novo projeto é do seo arquiteto Eduardo Britto.

Logo ali, na esquina da quadra, o prédio da prefeitura municipal, erigido (oigalê, essa foi buena, hein?!) em 24 de fevereiro de 1900.

Na 4a-feira, pela matina, saí a trote na direção do cartório da dona Ieda, de Registro de Imóveis.

Logo ali, saindo do hotel e encontrando a esquina da Juvêncio com a Sete, já consegui ver a Casa de Cultura Pedro Wayne. A Casa está instalada no prédio da Fundação Emílio Garrastazu Médici, nosso antigo presidente da república. O nome da casa de cultura é em homenagem ao poeta e escritor baiano que leva seu nome.

Então me fui, cruzei pela Mal Floriano, cheguei até a General João Telles (hehehe, cidadezinha essa... tudo quanto é rua no centro é nome de militar... exceto seo Júlio de Castilhos). Logo ali me deparei com o Quartel-General, prédio esse construído durante o governo do Epitácio Pessoa.

Feito minhas cousas no cartório, revirei a mula e me voltei pro centro, donde almoçei no chinês - eita, Bagé tem comida chinesa, hein?! E das buenas.

Subindo a Sete de Setembro, cruzei pelo prédio do IMBA - Instituto Municipal de Belas Artes, coisa mais linda e que tu vais ver ali na seção de fotos. Esse prédio era da Sociedade Espanhola, e foi iniciada sua construção em 1890. * notícias de 2003: Lucita manda dizer que o prédio ainda é da Sociedade e está apenas alugado para a Prefeitura.

Pois que tou bem descritivo, hein?! Levei uma caderneta e enchi ela de anotações, afinal, estava em BAGÉ tchê!

Me quedei prum lado, fui até a rua Mal. Floriano, e cheguei até a Igreja Matriz do Crucificado, que pertence à igreja episcopal anglicana do Brasil, instalada em 13/09/1903 pelo revolucionário Antonio Guimarães.

De volta pra Sete de Setembro, rua principal da cidade, fui subindo, passando pelo prédio do Clube Caixeral, o qual foi inaugurado em 20/05/1884. Em muita festa por aqui tu deves ter te divertido, hein, seo Bicca?

Bom, tropeando lomba (ou lombada?) acima, cheguei até o colégio estadual Carlos Kluwe.

Este colégio, cujo prédio é de estilo neo-clássico, foi construído no início do século pelo Dr. Pedro Osório. Cheio dos mármores, vitrais, bronze, ferro fundido e coisa e tal, abrigou os líderes da revolução de 1923, nas reuniões que antecederam o pacto de Pedras Altas.

Aqui eu sei que estudou, conforme me disseste.


Do Museu da Gravura; bah...

E me fui subindo a rua, até passar pela URCAMP, Universidade da Região da Campanha, que é um aglomerado de prédios numa região quase no final da avenida. Um tanto mais, cheguei até o Museu da Gravura.

Bah, que decepção. É nada mais que uma sala de exposição de gravuras, e quando cheguei tinha apenas de crianças. Bonitas, mas cadê o museu, tchê?! Donde estão as obras de artistas brasileiros?


Vila Vicentina

Me fui voltando pela rua do ladito, e passei pela Vila Vicentina.

Curioso que sou, entrei cruzando na cara-de-pau o portão e vi uma coisa meia paradisíaca. Uma vila inteira, dedicada a asilo, totalmente amparada por particulares, e muito bem cuidada: tanto o prédio externo quando os jardins internos; a pequena igreja e a cordialidade dos funcionários. São 160 pessoas sendo cuidadas e vivendo muito bem por lá.

Oigalê, seo, meus parabéns Bagé. Exemplo digno de mostrar ao mundo de como tratar nossos anciãos!

Me fui voltando ao centro e passei pela praça de esportes, bem em frente ao Colégio Auxiliadora. De pronto, bati uma foto pra registrar minha importância a natureza, segurando uma arvorezita que estava quase caíndo.

Voltando, catei a Mal. Deodoro e segui para a rodoviária. Bati uma foto de registro e resolvi ir até o Centro Administrativo, que fica na antiga estação da rede férrea. Um prédio que está bonitaço.

Pra isso tiro meu chapéu também a Bagé. O prédio está belíssimo, totalmente inteiraço, incluindo as pinturas internas que foram restauradas.

ESSE SIM: Museu Dom Diogo de Souza

Seguindo, cruzei pelo prédio do Forum, voltei feito barata tonta e então fui ao Museu Dom Diogo de Souza.

Quem for a Bagé pode perder tudo, MENOS ESTE MUSEU.

controlando o museu

O prédio é fantástico, lindo, bagual, macanudo, porreta, e tudo quanto é superlativo e dialetos que possam traduzir o que é um prédio BEM CONSERVADO (no caso pela URCAMP) e digno de um museu.

Achei um absurdo cobrarem R$ 0,50 pela entrada.

Por que quem vai atrás de cultura paga R$ 2, ou R$ 5 pra que se mantenha nossa história. Queria comprar uma camiseta do Museu mas não tinha.

ALÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔ dona diretora!

Pelo amor de deus: maquete, chaveiro, postal, camiseta, caneta, o que for. Fabrique que o povo compra! E como compra! Quem não quer ter uma lembrança dessas, de um prédio que guarda lembranças riquíssimas de nossa cultura e tradição?

Pois lá dentro tem o seguinte:

Quero deixar agradecimento especial ao compadre Ervandil lá do Museu, guia muito gentil e que me deixou bem a vontade (menos pra fotografar, que dentro de museu é geralmente proibido e obedeci!)

O Museu tem visitação de 3a a 6a-feira no horário de 08:00-11:30 a 13:30-17:30 e nos finais de semana das 13:30 até 17:30.

O endereço é Av. Emílio Guilain, 79 e o telefone é 53.242.8244.

Não me perde essa viagem. Espia as fotos e vai entender por quê.

Aliás, leia o poema que copiei a punho de uma parede do Museu:

Lança
Attila Sá Siqueira

Baliza de perdidos horizontes
Foste a arma predileta dos centauros
Que por teu meio, com pulsos de ferro,
Tragaram as fronteiras do meu pago.

Lápis sangrento que escreveu a história
De todas as batalhas pelejadas
No pampa sem dono do passado
Que recorreste a patas de cavalo.

Conheceste desditas vitórias
Vitórias com vanguardas carregando
Desditas quando clarins em toque triste
Anunciavam penosas retiradas.

Altiva arma branca temperada
Em vertical postura eras levada
Só te abatendo quando nas peleias
Trespassavas os corpos dos heróis.

Mas, em seguida te elevavas
Como indicando a trilha que seguiam
As almas daqueles que partiam
Levados pela morte que semeavas.

Há muito terminaram as peleias
A velha lança já não serve mais
Fronteiras existindo com respeito
E o povo trabalhando pela paz...

Hoje habitas algum canto de museu
Em estática e muda posição
Penitenciando-te pelas vidas que roubaste
Em holocausto às glórias do rincão.

Bah, a la putcha, escrevi um monte sobre Bagé, hein?!

Bom, pelo menos tu tens idéia de onde ir em Bagé. Não tu animal, seo Marcelo, mas os compadres que estiverem espiando esta carta dedicada a ti, bagual da mais genuína cepa das tradições gaudérias!

Mas antes quero lembrar dois endereços aqui:

Correaria Estela do Sul, João Telles 900, 42.2887
Eva ou Airton

E a Correaria do Seo Maier, 42.8621, que foi onde comprei um par de alpargatas por seis pilas, o qual me aliviou os pés da tremenda maratona que realizei pra te levar todos esses registros e fotografias.


Vai olhar as fotos de Bagé!!

Espia as fotos e me diz depois do que gostou ou não.

Abre os zóio e clica aqui por que... quero ver as 31 fotos mais o mapa da cidade de Bagé, tchê!

Conforme for, eu até volto a Bagé, hehehehe!!


Um puxão de orelhas em ti!

Bamo tchê!

Te coça. Vem conhecer nosso Rio Grande.

Agora que tu já tens as tintas virtuais, desanda desse micro, marca hospedagem no hotel que de informei (e tem ainda o tradicional Charrua aqui, mas deve ser mais caro), e vem pra campanha, ora essa!

Feito.

Tá dado meu recado. Mais que isso só se te trouxer a cabresto, mas daí tenho que estar muito indignado.

Feitooooooooo!

Cordialmente

Cohen



PS: Toma nota aí:
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