como chegar lá!

Porto Alegre, 22 de julho de 1999.

Rio Pardo e Encruzilhada do Sul.

A la guasca, seu!!!

Esta tirambada foi uma beleza.

Pois eu quero registrar aos amigos a corrida que fiz pros pagos de Rio Pardo e também pras bandas de Encruzilhada do Sul, tudo num dia só, com meu tradicional pingo Lafayette (com dois t's).

Como me é de hábito, desde que cruzei os 35 años, agora saio sempre de manhezita para cruzar nossos pagos. Desta vez sai às 06:00 da matina para Rio Pardo. Um breu dos diachos... Mas vamos à Rio Pardo!

Esta cidade fica a uns cento e tantos quilômetros de Porto Alegre, o trecho da BR é facilzito e limpo, de tal formas que não tem estresse nem problema pra chegar até lá.

Cruzando por Arroio dos Ratos, Butiá, Minas do Leão, fui chegando cada vez mais pertito da esquina de Pantano Grande. Quando lá se chega (veja na foto), tu quebras pra direita, que dali Rio Pardo fica 23 kms. Fui cruzando uns bosques de eucaliptos e sorvendo aquela natureza, parecia que comia um mel de eucaliptos, pois o aroma é bem típico.

No que cheguei, já senti um certo extâse (te acalma vivente, isso não é frase de fresco, que sou espada e isso aqui é traço de linguagem!), pois a cidade é bem antiga, afinal, é o quarto município mais antigo do Rio Grande do Sul.

Se tu vidras os olhos, meio que dormente, se tiver imaginação, ainda consegue ver a vida no início do século. As ruas, os prédios, o calçamento e coisa e tal. Bah.

De cara me fui pra estação férrea. Completamente abandonada, foi importante ponto de distribuição de gente e comércio naquelas épocas. É cousa linda de se ver e não me fiz de rogado, pictografei várias fotos naquelas paradas.

Em seguidita, que tinha muito que fazer, fui até a praia dos Ingazeiros, 2 kms do centro, que quase pega os dois rios, Jacuí e Pardo, de jeito. Parece que estão construíndo um hotel pelali. No verão deve ser muy agradável, pois tem um areião dos bons.

Feito formiguinha, virei o pingo proutro lado e fui até a Igreja Matriz. Ela também é muy antiga, de 1779. Um monstro de prédio, uma cousa linda de se ver, bem em frente a praça.

Escapando pelos fundos dela, se vai chegando devagarzito - e tem que ser assim, pra sentir a imponência - na rua da Ladeira, atual Júlio de Castilhos. Ela foi uma das primeiras ruas calçadas no estado, e foi tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional. As pedras ainda são originais e, te recomendo vivente, se teu pingo não for um Lafayette vivido da vida, não tenta passar. De carro entonces, tás ferrado, sy, como no.

Me dei conta que estava indo pro lado errado, pois queria ver outra cousa, e então tornei a cabeça do flete de remaneio, e voltei pros lados da igreja Matriz, mas dessa vez passando reto e chegando até a sede da Corsan.

Sim, sim, o que estará este taita fazendo na Corsan?
Com sede?
Foi pedir um mate?

Qual quê!!

Ali ficam as ruínas (?) da famosa "Tranqueira Invicta".

Pois que não conhece a história do nosso Rio Grande? Vai aqui: Rio Pardo e lê um tantito. Este forte ficava de frente pro rio e despejava balas de canhões em qualquer nau castelhana que se bestiasse por ali. E se tu olhares as fotos (ué? e por que não iria?) vais ver como era barbada afundar barcaças dali.

Chegou a hora entonces de ir até o Museu Barão do Santo Ângelo.

O Museu está muy bem conservado, uma belezura. Paguei um pila, fui atendido pela simpática Ana, querida barbaridade. Quem for lá, vai ver:

  1. armas da época;

  2. a mobília da Câmara Municipal de 1811;

  3. a senzala (pois que o prédio é uma casa antiga, de senhor),

  4. paredes mostrando como se construíam paredes de pau-a-pique (taquaras amarradas com cipó mais barro), o que tuas crias precisam aprender

  5. Um baita poema em homenagem aos farrapos, que tomei nota na mão, pois que não pode fotografar ali dentro:

Herança de Farrapo
D'Avila Flores

Aquele pala, que eu vejo ali caído
Ao lado de um veterano morimbundo
É um pouco da história do Rio Grande.
de boca em boca, vibrando pelo mundo.

Contemplo aquelas franjas, que ainda guardam
o pé do entreveros e guerrilhas,
que plasmaram a alma do Rio Grande,
na legenda imortal dos farroupilhas.

Daquele sangue, que muitos esqueceram,
Antiga mancha no pala que ainda estava...
Tio Penteado outrora me dizia,
foi quando em Poncho Verde eu avançava!

E aquela mão, tremula, procura
apontar rumo ao pala murmurando...
Penso ver, debruçado na tarimba,
o velho continente soluçando.

Recolhi e guardei aquele pala,
e sobre o pala cinza da soalheira,
que abrigou nas jornadas de civismo,
um tronco de bravura brasileira

Talvez, disseste na última viajada
fica contigo, filho, esta lembrança
No começo ou fim da nossa história,
e no pala de farrapo a grande herança.

Então?!

Fui voltando, que parecia barata tonta, pra lá e pra cá, de tanta ansiedade de ver de tudo. E fui até o outro lado da RS, ver o monumento aos farrapos, uma bela duma cruz.

E que dizer do Colégio Militar? Abandonado quando passei pela frente, na rua principal, diz que o prédio de 151 anos, que ensinou até gente importante como Getúlio Vargas (dizem que cadete Vargas, fez um ato de protesto contra as condições da comida e subiu a cavalo as escadarias da escola. Delatado, foi rebaixado a soldado e transferido para Porto Alegre. Inconformado, o taura abandonou a vida militar, tornando-se advogado e iniciando a carreira política que o levaria à Presidência da República) e outros, vai virar centro cultural da região. Fico na chuleada que sim, por que é uma coisa sagrada manter nossa memória viva, tal qual faço aqui, tal qual fazes tu, indo até lá, virtualmente ou não!

Bom... encharcado de tanta cultura e tradição, decidi que era chegada a hora de rasgar campo na direção de Encruzilhada do Sul, pois as curvas desta estrada que se vai pra lá são um perigo entonces, quanto mais cedo (e claro), melhor.

Clica aqui pra chispar pra lá: Encruzillhada do Sul ou
ver as fotos: bah, só as fotos!.

Um baaaaaaaaaaaaaaita abraço

Cordialmente

Cohen



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