roteiro para chegar lá!
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    Região das Hortênsias  

 

Porto Alegre, 18 de junho de 1998.

Olá prima Dóris, quanto tempo hêin?!

Sinto aqui uma nostalgia de nossos tempos de adolescência, onde essa prima linda ocupava minha mente como a mais bela paulista que já vira...

Bom, resolvi quebrar este tempão que estamos afastados te enviando esta carta de nossa viagem para a região das hortênsias, região onde fica Nova Petrópolis, Gramado, Canela e São Francisco de Paula, que faz parte também da Rota Romântica.

Como tu és uma pessoa bem romântica, decidi dedicar pra ti, pois estas quatro cidades formam uma região mágica para os amantes.

A carta está dividida em quatro páginas, de formas que se te cansares hoje, volta amanhã e segue o barco na próxima página. Mas... é irresistível conhecer esta região e acho que vais acabar lendo tudo é hoje mesmo :-)

Antes de mais nada, um baaaaaita abraço pro teu marido Edinho, e teus filhos Breno e Fernando - viste como ainda me lembro dos nomes?

Agora são 20:30 desta quinta-feira fria. Estou aqui, sentando no chão, enconstado na cama, em frente ao ar condicionado ligado, escolhendo as fotos da viagem para te mostrar. Já ia me esquecendo, estou ouvindo a Enya porque, apesar de gaúcho, não sou xenófobo e adoro a música desta celta. A paz e a serenidade imperam por aqui neste momento.

Mas antes de entrar no assunto, quero dizer que acabei de fazer um churrasco pra minha turma e, meu deus, a picanha estava pra lá de suculenta e sangrenta. Ficamos os quatro durante uma hora e meia jogando conversa sobre a viagem e beliscando os pedaços de carne.

Sabe que as gurias já estão pra lá de grandes, né? São Spice Girls, dá uma vista nas poses, veja tu mesmo.

Rachel Mírian - email:mimi@plug-in.com.br

Hehehe... Olho olho as minhas fotos e procuro os safados dos cabelos que estão se mandando... Felizmente ou não, a vaidade ainda não é de minhas qualidades, motivo pelo qual não esquento muito com isso, apesar de um tal de Gustavo lááá do Japão ficar a me gozar, numa boa.

Desta feita, mantendo o ideal de viajar pelo menos um final-de-semana com a turma, realizamos uma viagem S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L e inesquecível paras bandas de Nova Petrópolis, Gramado etc.

Olha que apesar de irmos uma vez por ano, no mínimo, praqueles lados, desta vez foi uma coisa m.E.m.O.r.Á.v.E.l e faço questão de compartilhar contigo de tudo.

Bueno, te senta bem soltita aí, porque o assunto é longo e não é todo dia que te escrevo, mas tenho certeza que vais ADORAR conhecer esta região.

Nesta viagem levamos minha mãe junto. Véia com 59 anos que ainda trepa em árvore para colher laranja não faz feio pra descer vários vãos de escadas e ver cascatas, e tu bem conheces a mulher que é minha mãe.

Saímos daqui na 6a-feira 09:00.

Seguimos pela estrada antiga que vai para a Serra. Ela é simplesmente líndissima. Pra que tu aproveites bem a viagem conosco, bati umas 200 fotos, donde selecionei umas 40 para veres a beleza da região para e teres um excelente motivo "turístico" para visitar este primo que te adora.

Estava frio naquela 6a-feira. Uns 7 graus...

E isso é excelente para quem quer tomar chocolate quente, experimentar malhas e comer foudeau. Una neblina charmosa tornava o trajeto meio encantado, enchendo de mistério a estrada e lembrando filmes como "Coração Valente" e outros. A estrada é boa, nos enchia de um verde quase sufocante e pra ti, paulista da gema, seria um passeio de nem piscar olhos.

A estrada estava vazia em pleno feriadão. Frio, frio, frio... Mas dentro do carro, ar condicionado ligado. Fomos seguindo as curvas e voltas da estrada como guri que ganha sapato novo: os olhinhos brilhando, brilhando...

Chegamos em Nova Petrópolis ainda cedo, umas 11:00. Na praça principal tem um labirinto verde, feito de cerca-viva que diverte a todos. Se tu pensas que é facilzinho chegar no centro do mesmo, hahaha... era uma zona só, o pessoal indo e voltando pelo mesmo lugar.

Em seguida a turma se atirou toda no Parque Aldeia do Imigrante, um lugar bem bonito, típico, e que aparece nas fotos lá adiante. Eram um monte de barraquinhas vendendo malhas, malhas e malhas...

As crias compraram umas de R$ 8 e se arrependeram ligeirinho, pois um dia depois já estavam se desmanchando toda. Lá dentro é muito legal, barraquinhas típicas, um grande e belo lago, uma aldeia em separado simulando como era antigamente e... um frio dos diachos, as pernas fazendo um fiasco... Como é que esse povo mora aqui, desse jeito?

Saímos e bem em frente do parque almoçamos num buffet por quilo excelente e barato. Por R$ 7,50 comes um QUILO inteiro e olha que dá vontade. Plátano Grill é o nome do lugar, toma nota aí.

Nós decidimos visitar todos os lugares sempre que possível, evitando aquele desdém por estradas de terra e outros preconceitos que poderiam aparecer. Bom, os resultados foram maravilhosos...

Seguimos na direção de Gramado, pela estrada das hortênsias (que só aparecem no verão, quando é época delas). No caminho entramos em Linha Imperial, que é como demarcavam terrenos antigamente, "linha" e colocavam um nome nela.

Lá tocamos por um pequeno trecho de estrada de terra até chegar ao Pinheiro Multi-Secular. Um monstro ereto no meio da mata, com mais de 500 anos. Pra chegar lá tem que caminhar um pouco na mata, escorregar no chão cheio de limo... mas pra quem é ecologista é um... suspiro (deles, é claro).

Cansado desse negócio de mato e escorrega dali e daqui, se grudando nos cipós pra não pintar as calças de barro, toquei o carro adiante. Mas um pouqito más já paramos novamente para descobrir a Cascata dos Grings. Entramos novamente em estrada de terra e toquei uns 2 kms e, como nada aparecia, perguntei a um vivente que me disse que era bem na saída da "faixa".

Voltamos lá e realmente era. Dá uma olhada na foto para veres que local bonito. Obviamente já analisei todo o mecanismo da "hidro-elétrica", deixei algumas recomendações para melhorias com um bagual que passava por ali, peguei recibo e desta vez fomos diretos para GR-AMADO.

Como não sou lá de perder tempo, já nos embrenhamos direto no Mini-Mundo.

Pra quem nunca ouviu falar, tudo começou por causa do amor de um pai e avô por duas crianças (tô copiando o texto). Para elas, Otto, o avô, e Heino, o pai construíram uma casinha de brinquedos com balanços, reunindo detalhes das histórias que as duas mais gostavam de ouvir e, ao lado, uma mini-rodovia com prédios proporcionais, também copiados de originais famosos.

Aos poucos o pequeno parque passou a ser conhecido e considerado como um passeio obrigatório de quem vai a Gramado. A obra começou lá em 1981 e foi aberta ao pessoal em 1983.

Minha opinião: visita imperdível. Estou aqui com o catálogo do parque e vejo quanta coisa tem: casinha de bonecas, castelo Holstentor Lübeck - olha a foto depois -, moinho de vento, garagem de locomotivas, central de abastecimento, castelo de Lichtenstein - o da Cinderela, o da Cinderela!! -, e mais umas 40 outras construções, incluindo uma igreja.

Ah, custa R$ 3 o ingresso. Mas vale a pena, ainda mais se tiver criança junto (ou no coração).

Enxaguados por esta visão, nos bandeamos pra tomar um chocolate quente com marshmallow na Casa da Bruxa, na rua principal de Gramado, a Borges de Medeiros. Ele custa R$ 2,50, é bem cremoso, denso, e ... QUENTE!!!!

Mas bah, que delícia.

Viste como ando romântico? Esta não é uma viagem pra baguais, é pra amantes e pai, avôs e todos que se envolvam com amor, seja ele apaixonado, de avô para neto, ou qualquer outro. Por isso, aos tauras acostumados a ouvir e ler este índio velho a gritar coisas da terra, se preparem: a viagem de Pelotas é realmente em JULHO!

Sabe, menti pra ti lá atrás. Eu gosto de perder um tempo...

Enquanto a mulherada ia fazer compras nas mais de 200 lojas da rua Borges, com artesanato, malhas, chocolate, etc fui dormir no hotel. Frio pra ranguear cusco, 18:00, foi um alívio entrar no quarto com calefação e me enfiar debaixo das cobertas. Que ninguém é de ferro, não é!!!

Na noite da sexta-feira, dia dos namorados, preparei uma surpresa para a patroa. Quando ela chegou, depois de alimentar a turma, resolvi levar ela para jantar. E sabe onde? Num rodízio de fondue.

A neblina era horrorosa. Eu sugeri ir caminhando, bem romântico. Eram umas 20:00 e não se enxergava 20 passos adiante. Caminhamos umas 5 quadras abraçadinhos, num clima bem... namoradeiro, depois de 17 anos casados.

Quando chegamos, havia fila pra pegar mesa. O controlador de tráfego perguntou se queríamos esperar no bar, com que concordamos.

Lá fiquei conhecendo (e enchendo o saco) da caixa, a BELA srta. Nádia. O "Maison De La Fondue" fica na Borges também, em frente da pequena e simpática rodoviária. O telefone deles é 286.5282 e eles reservam mesa, recomendável pra não ficar aguardando.

Claro que não tô ganhando nada com isso, todas essas dicas é pra que tenhas uma boa estada lá. O custo por cabeça é de R$ 12,00 e vale a pena, pois vem primeiro o fondeu de queijo com pão torrado, que enfias no queijo caliente e engoles com uma sensação uauuu.... Depois vem o de carne de gado e frango, que vais cozinhando na panelinha, preso no garfinho e, quando pronto, misturando com os vários tipos de molho.

E nos finalmente, pra esse gaúcho grosso, o fondeu de chocolate com frutas tais como banana, laranja, maça, abacaxi, etc. Eu pensei: bleargghs, vou enjoar disso logo, logo.

Mas sabes que era bom!! Fincava o espeto na laranja, rebuscava dentro da panela para pegar um chocolate líquido e goela abaixo. Muito bom, muito bom.

A volta ao hotel - a pé - foi sob uma chuvinha fina, que nos fez correr abraçadinhos sob o mesmo casaco, como se estivéssemos em Paris (sei lá porque Paris, foi a primeira que veio na cabeça). Mas foi uma coisa assim meio de gurizote, correndo na chuvinha fina, depois de jantar num lugar chique, agradável, cheio de gente bonita e... correndo pelas calçadas sem nenhum tipo de preocupação, seja com violência, conta pro dia seguinte, nem nada...

Só correndo como nos tempos de guri!


ATENÇÓN: INFORME CULTURAL - NOVA PETRÓPOLIS

Os imigrantes alemães conseguiram a façanha de morar em lugares diferentes sem trocar de casa. Na hora da mudança, levavam a casa junto. Os encaixes nas ligas de madeira do estilo enxaimel permitiam que as consturções fossem desmontadas sem comprometer a estrutura do prédio.

Muitas casas de Nova Petrópolis acompanharam os imigrantes quando eles se mudavam de um lugar par ao outro, e hoje se erguem, imponentes, bem longe do local onde foram construídas. O exemplo mais notável de mobilidade do estilo enxaimel está no Parque Aldeia dos Imigrantes.

Ali os moradores fizeram um Freihlinchmuseum, como os alemães chamam os museus ao ar livre. Dez prédios construídos entre 1875 e 1910 froam transferidos de seus lugares de origem para o centro do Parque. A Aldeia Histórica reúne as casas mais antigas de cada localidade do município.

Como era de costume entre os imigrantes, os moradores retiraram os tijolos fixados com barro, desencaixaram as guias de madeira e reconstruíram os prédios com o mesmo material de origem.

A aldeia hoje tem igreja, escola, salão de baile, cemitério a té a caixa da antiga cooperativa de crédito, primeira cooperativa fundada no Brasil em 1902. Para quem prefere as casas nos cenários originais, a zona rural de Nova Petrópolis conserva construções em enxaimel do século passado.

Na estrada que liga o município a Gramado ainda existe um armazém de secos e molhados, mantido por seu Carlos Waskawick. Ao lado do prédio está a casa em enxaimel construída em 1911 pelo imigrante Venzel Waslawick, usada até hoje como moradia da família.

(extraído de Guia da Serra Gaúcha, L&PM Editores)


 


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