Cerração baixa, sol que racha!


Mas, bah!

Eu acho que nem Don Segundo Sombra encarou um tempo destes em suas andanças pelos pampas! Largamos no sábado com tempo encoberto, uma neblina feia ali pelas bandas de Guaíba. Mas logo em seguida, uma temperatura de 40 graus na pista nos acompanhou o dia inteiro (saímos às 08:30 e chegamos em Uruguaiana às 18:00). Sabem o que são lufadas de bafo quente no peito, no capacete, nas botas? Nos paradouros, quem bebia água não eram os pingos, éramos nós mesmos, que chegávamos nos arrastando até o balcão do bolicho. Era um bando de esbodegados desquartados. A água descia numa viagem só pra dentro da goela.

Os corredores (estradas) que levam até Uruguaiana são quase todos retões, o que tornava a viagem ainda mais monótona. A boa coisa é que nossos fletes não resmungavam, não saíam de forma e riscavam o pampa numa velocidade que daria inveja a muitos vaqueanos conhecidos, como o velhito do poema "Romance do Tropeiro Doido", de Aureliano ou ainda José Avençal, do "O Vaqueano" de Apolinário Porto-Alegre. Isso sem falar nos personagens das milongas cantadas por Luiz Marenco! Até chegar ao destino, paramos umas três vezes. Isso tem que ser levado como parador de rodeio em campo grande, que tem de ir poupando o matungo pra não chegar aplastrado!

Mira o que era a visão do ferrolho da tropa:

Bom, a história a contar não é bem deste trajeto, mas eu gostaria de deixar aos amigos cartões-postais belíssimos do nosso Rio Grande e de Uruguaiana: as fotografias feitas pelos viajantes no por-de-sol nas beiradas do rio Uruguai, bem pertinho da Ponte da Amizade. Pra quem não conhece AINDA, trata-se de algo inesquecível e obrigatório para cada gaúcho e gaúcha visitar! Clique sobre as fotos e uma maior abrirá. (Mas lembrem-se: isso é uma MOTIVAÇÃO para ir à Uruguaiana. De nada adianta usar de papel de parede e nunca perfazer os 600 kms - se sair de Porto Alegre - para conhecer algo tão lindo e macanudo).





O final do dia foi um jantar numa esquina de Uruguaiana, às 22 horas. Aquela noite, quente como um forno de pão queimando lenha de angico, encontrou os meus compadres numa grande ansiedade para o prosseguimento ao Chile. E a mim, solito, para tocar até São Borja. Fui dormir sonhando com o dia seguinte e com uma canção na cachola:

Quando chega o domingo eu encilho o meu pingo que troteando sai
Rumo as velhas barrancas de histórias tantas do rio Uruguai
Eu sou fronteiriço de rédea e caniço o perigo me atrai
Sou de Uruguaiana de mãe castelhana igual a meu pai
(Barranca e fronteira)

Veja como foi o domingo. Venha na minha garupa clicando na imagem abaixo.