Fazenda do Casqueiro - Osório/RS Fevereiro de 2001

Terêncio Prates

Incrível, hein?!

Pela primeira vez desde que fui criado, o desgranido do meu patrão, o Cohen, me permite contar uma de suas andanças...

Desta feita foi um convite que ele, a princípio, ficou meio desconfiado, por que quando a esmola é demais até o santo desconfia. Pois fora convidado pela patronagem de uma fazenda para participar da tal famosa Confraria do Cordeiro.

Eu, Terêncio, o representante oficial do site, e a patroa dele insistindo pro animal nos tirar dessa mesmice de fevereiro, calor que nem sombra de umbu protegia, e irmos passear por lá.

E ele insistindo que não era hora de tirar o Chico, seu novo pingo, da estrebaria e enfurnar o flete pelas bandas do litoral, lambuzando o tal de areia e outros resmungos que ele criando ia.

O tirambaço final veio através de ligação do próprio patrão da fazenda, seo generoso Paulo Velho de Azevedo, que ameaçou a facão o Cohen de não lhe proporcionar esta desfeita.

De tal formas que, resmungando o caminho inteiro feito um velhaco, conduziu-nos numa bela manhã de sábado até as bandas de Osório, logo ali depois da famosa cidade de Santo Antônio da Patrulha.

O Chico ia feliz da vida, que este também já cansara daquele marasmo de ficar encostado num coche. Ainda mais ele, potro novo, rico das energias pra trotear por estes pagos do Rio Grande, seja pros lados de lá, de cá ou de acolá, ou... tu sabes bem pra onde!

(Aliás, parenteses: no final desta descrição, tu elogias bem minha narrativa, por que senão ele disse que vai ser a primeira e última. Pelo amor de deus, me enche de floreio teus elogios que me garanto e até sorrio na tua camiseta da Página do Gaúcho, se comprares...).

O galope - sim, por que o Chico não se aguentou e se pôs a galopar invés de trotear -, durou uma hora e loguito estávamos na carretera del mar. No Marimbo a patroa quis dar uma água pro nosso veloz pingo e, debaixo de praguejos do velhaco Cohen, que se fazia sol resmungava do calor, e se fazia sombra reclamava da escuridão - ora vejam só! -, nos encostamos no paradouro.

- "Feito!" gritou ele...

Nem se passaram dez minutos, acreditam?!

- "Vas'imbora, que este cavalo é pachola (que anda pedindo freio, garboso, de tomar cachaça na venda ou de namorar aos domingos) e logo quero me exibir na fazenda".

E não deu outra, lá se bamo em direção à fazenda.

A fazenda...

A fazenda? Ora, clica aí!