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Reportagens


O maior fenômeno musical gaúcho



Teixeirinha morto em 1985, gravou 700 músicas em 49 discos e vendeu mais de 25 milhões de cópias - 1985

Vitor Mateus Teixeira, nascido em 3 de março de 1927, no interior do município de Rolante, teve uma infância dramática: aos seis anos, perdeu o pai, vitima de um ataque cardíaco. Aos nove, morreu sua mãe, que, durante uma crise de epilepsia, caiu sobre o fogo que ateava em folhas secas. Sozinho, mudou-se para Porto Alegre, onde vendeu balas, entregou viandas e trabalhou em pensões de estudantes, antes de se tomar conhecido como Teixeirinha, um dos maiores fenômenos da indústria fonográfica do país e um dos principais nomes do regionalismo.

Vitimado por câncer, Teixeirinha morreu no dia 4 de dezembro de 1985. Mais de 50 mil pessoas acompanharam o cortejo fúnebre até o Cemitério da Irmandade Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre. Durante o tempo todo, foram cantados alguns de seus grandes sucessos. Suas músicas, por sinal - foram mais de 700, gravadas em 49 discos que até hoje continuam sendo vendidos -, já haviam sido imortalizadas.

Teixeirinha aprendeu a tocar violão de ouvido. No final de sua adolescência, começou a se apresentar em programas de auditório no interior. Foi num deles que, em 1959, recebeu o convite para gravar seu primeiro disco, em São Paulo, com as faixas Briga no Batizado e Xote Soledade.

Depois, gravaria aquele que seria o maior sucesso musical da história do país: Coração de Luto, um drama inspirado na morte de sua mãe. Na opinião da crítica, uma composição de "muito mau gosto". O grande público, porém, não pensou assim. A música foi a mais vendida em todos os tempos, no Brasil e a principal responsável pelo sucesso de Teixeirinha.

Entre 1960 e 1995, 25 milhões de cópias de seus 49 compactos, LPs e CDs foram vendidas. Houve época em que seus discos, gravados pela Chantecler, eram prensados em três fábricas e, mesmo assim, a gravadora não conseguia atender à demanda. Caminhões carregados nem chegavam aos depósitos. Eram levados diretaincnte para as distribuidoras e lojas.

No final dos anos 50, Teixeirinha casou-se com Zoraida, mãe de seis de seus oito filhos. Em 1961, durante uma apresentação em Bagé, conheceu Mery Terezinha, uma garota de apenas 14 anos que tocava todas as suas músicas no acordeão. Começou ali unia parceria que extrapolaria os palcos. Com Mery, ele gravaria a maioria de seus discos, dividiria durante mais de 15 anos programas líderes de audiência no rádio, faria 12 filmes e teria dois filhos. Teixeirinha manteve duas famílias até 1983, quando Mery o abandonou para se casar com o mentalista Ivan Trilha. Essa separação o deixaria muito abalado, a ponto de sofrer um enfarte no ano seguinte.

Teixeirinha foi sucesso também no cinema, atuando em 12 filmes: Coração de Luto, Motorista sem Limites, Pobre João, A Quadrilha do Perna Dura, Meu Pobre Co@o de Luto, Tropeiro Velho, Ela Tornou-se Freira, Teixeirinha a Sete Provas, Cannen, a Cigana, Na Trilha da Justiça, Gaúcho de Passo Fundo e A Filha de Iemanjá.

Decorridos 14 anos de sua morte, o cantor, que foi um personagem dominante na música regionalista por mais de 25 anos, continua sendo uma referência, conhecido também no Exterior, em países africanos e europeus e nos Estados Unidos, onde fez muitos shows.

Foi, também, tema de uma dissertação de mestrado apresentada pela gaúcha Miriam de Souza Rossini, publicado com o título Teixeirinha e o Cinema Gaúcho.