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Fãs de Teixeirinha lembram hoje 12 aniversário da morte do ídolo gaúcho
RENATO MENDONÇA



Teixeirinha escreveu estes versos pouco antes de 4 de dezembro de 1985, quando morreu de câncer: "Vamos ser realistas, sabemos que a morte não marca hora / Aquele que quiser falar depois da vida, terá de escrever antes / Fiz isto e canto agora".

Teixeirinha escreveu e criou bastante. compôs mais de mil músicas, estrelou 12 filmes, gravou 70 elepês, a maioria ao lado de Mary Terezinha, vendendo mais de 25 milhões de discos. Coração de Luto teve mais de 10 milhões de cópias vendidas. 50 mil pessoas acompanharam seu enterro no cemitério da Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre.

Seu filho Victor Matheus Filho acha que a razão deste sucesso foi seu pai ter sido "um trovador":

"Ele sempre nos contava histórias, e algumas delas viravam músicas."

Teixeirinha tinha tudo para dar errado. Perdeu o pai aos seis anos e a mãe aos nove, "exatamente como ele descreve em Coração de Luto", diz Victor. Veio para Porto Alegre e trabalhou nas ruas, entregando pastéis e jornais, aprendeu a ler nas repúblicas de estudantes porque queria entender as legendas dos filmes. Em 1957, trabalhava no Daer fazendo terraplenagem e tocava violão para seus colegas de trabalho.

Coração de Luto, dois anos depois, abriu o mercado nacional para Teixeirinha.

Em 1961, ele forma dupla com Mary Terezinha. Teixeirinha se mostra um mestre na comunicação. Junto com Mary, apresenta programas de rádio e TV e ocupa as telas dos cinemas - Ela Tornou-se Freira, de 1971, teve quase 600 mil espectadores.

Quando o apresentador Flávio Cavalcanti quebrou seus discos, no programa "Um Instante, Maestro", Teixeirinha só se incomodou no início. Depois usou isso para se promover. Chegou a convidar Luiz Gonzaga para estrelar um filme com ele, mas Gonzagão teria pedido dinheiro demais para participar.

A vida afetiva de Teixeirinha também tem números expressivos. Casou-se apenas com Zoraida, mas teve duas companheiras, Ezi e Mary, e nove filhos. A separação de Mary Terezinha, seguida por um infarto em 1983, foi traumática.

"Depois disso, ele só falava nos filhos que ele tinha com Mary e em morte", conta Victor. Cantando com o nome artístico de Teixeirinha Filho, Victor compara o pai a uma grande árvore, "com uma sombra tão grande que era dificil crescer profissionalmente perto dele".

Era Teixeirinha quem dizia: "Música que conta uma história triste sempre faz sucesso".

Falta uma música que conte a história de Victor Matheus, criador de sucessos como Gaúcho de Passo Fundo e Menina da Gaita, um menino órfão que queria ser médico e acabou ídolo, alguém que sempre andava com um 38 na cintura e era reconhecidamente machista.

Mas que reconhecia: "0 homem domina o leão, rei das selvas, mas não domina a mulher".

Esta notícia foi sugerida pelo leitor Júlio Reghelin, de Porto Alegre