Página Não-Oficial do Teixeirinha
Reportagens


O Rei do Regionalismo
Galã do melodrama Gaudério
TUIO BECKER



"Coração de Luto" foi lançada em cinco salas de Porto Alegre em 1966 e ficou mais de um mês em cartaz.

Entre 1966, ano em que rodou Coração de Luto, produção da Laopoldis Som, dirigida pelo espanhol Eduardo Llorente, e 1981, em que a estatal Embrafilme bancou a realização de A Filha de Iemanjá, de Milton Barragan, o cantor regionalista Teixeirinha rodou mais dez filmes.

Os gaúchos Barragan e Pereira Dias alternaram-se na direção dos filmes, produzidos graças à popularidade do cantor e à explosão do milagre econômico brasileiro, que permitiu criar um dos costumeiros ciclos de produção regional que ocorrem de décadas em décadas no Rio Grande do Sul.

Motorista Sem Limites (l970), Teixeirinha a Sete Provas (l972), Na Trilha da Justiça (l976) e Tropeiro Velho (1978) foram os outros filmes dirigidos por Barragan.

Pereira Dias assinou Ela Tornou-se Freira (l971), A Quadrilha do Perna Dura (l975), Carmen, A Cigana (l976), Meu Pobre Coração de Luto (1977) e Gaúcho de Passo Fundo (1979).

Com roteiros quase sempre indigentes, a mesmice dos filmes foi fazendo com que o público cativo desses melodramas abandonasse as salas de cinema por falta de novidades nas histórias contadas.

Se Coração de Luto ganhou lançamento em sete salas de Porto Alegre e ficou cinco semanas em cartaz, levando cerca de 40 mil pessoas aos cinemas por semana, A Filha de Iemanjá, que teve distribuição nacional, registrou apenas 25 mil espectadores.

Teixeirinha teimando em fazer sempre o galã da história e recusando mostrar-se em um papel característico ou claramente cômico, provocava muitas vezes cenas de comicidade involuntária, como nos momentos de ação em que tiroteava ou lutava com os bandidos ou entregava-se ao romance com sua eterna companheira Mary Terezinha.

Por mais habilidosos que pudessem ter sido sem diretores - e não o foram - seria difícil livrar os filmes do ridículo mantendo-se dentro da linha exigida pela persona cinematográfica de Teixeirinha.

Dentro das limitações da carreira cinematográfica de Teixeirinha, a mostra retrospectiva - com entrada franca - que se inicia na próxima terça-feira na Sala Eduardo Hirtz, da Casa de Cultura Mário Quintana (veja box na página cenúal), reúne dois dos títulos mais curiosos da fllmografia do ator e produtor: Ela Tomou-se Freira e A Filha de Iemanja.

Por oposição, os dois filmes incidem no tema do sincretismo religioso brasileiro e dele tiram seu drama. No primeiro título, Mary Terezinha é a mulher traída que entra para um convento enquanto o marido-cantor bebe para esquecer que a enganou. A inviolabilidade dos votos religiosos oferece elementos suficientemente atrativos para que quase 600 mil pessoas tenham assistido ao filme.

Os cultos africanos, por sua vez, aparecem em A Filha de Iemanjá que traz o diferencial de um final em suspenso, com o casal romântico separado. A possível continuação da história não ocorreu. Os tempos haviam mudado e Teixeirinha, fiel a si mesmo, já era história.