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Reportagens


O Rei do Regionalismo
O Rio Grande não esquece Teixeirinha



O cantor foi um personagem dominante por mais de 25 anos e continua sendo uma referência na música regionalista.

Não há pessoa com mais de 25 anos, no Rio Grande do Sul, que pelo menos uma vez não tenha ouvido, mesmo sem querer, alguma música de Teixeirinha. Desprezado ou incompreendido por uns, amado por muitos, ele foi e continua sendo uma referência, como se pode constatar pelos depoimentos abaixo.

"Desde que ele morreu, de ponta a ponta do Brasil o povo diz: depois do Teixeirinha, é o Gaúcho da Fronteira. Então, por força da voz do povo, eu sou visto como o seu substituto. Comecei a cantar inspirado pelas músicas dele, no início dos anos 60. Até me chamavam de Teixeirinha da Fronteira. Ele foi o gaúcho mais popular de todos os tempos. Não era uma pessoa muito simpática, mas você ser pessoalmente simpático é uma coisa, e ser amado pelo povo é outra. Depois da morte dele eu gravei o Coração de Luto."
(Gaúcho da Fronteira, cantor e compositor)

"Eu era um guri e acordava cedo para ouvir o programa Teixeirinha Amanhece Cantando. Achava engraçadas aquelas propagandas cantadas por ele e Mery Teresinha. Quando fui a São Paulo pela primeira vez, devido ao sucesso do meu primeiro disco, em 1984, fiquei no hotel Eldorado Higienópolis, que tem uma parede ocupada por fotos de centenas de artistas importantes que se hospedaram lá. Uma das fotos é de Teixeirinha, o primeiro cantor que fez sucesso nacional com a música regionalista do Rio Grande."
(Renato Borghetti, gaiteiro e compositor)

"Sempre tive admiração pelo Teixeirinha, por ser o nosso maior artista regional. Lembro de ter assistido a um show dele em um circo no interior de Pelotas, quando eu era criança. Eu tinha uns oito anos e aquilo foi uma coisa inesquecível. Quando formamos o grupo Almôndegas, gravamos Gaúcho de Passo Fundo. Anos depois, eu e Kleiton estávamos começando com a dupla e o convidamos para fazer conosco o Projeto Pixinguinha, cuja filosofia era reunir um nome consagrado (no caso, ele) e um nome novo. Mas ele não aceitou o convite, por causa dos seus mil compromissos. Acho que teria sido um acontecimento."
(Kledir Ramil, cantor e compositor)

"Até hoje cantamos as músicas dele. Tordilho Negro, por exemplo, que está em nosso último disco, é um de nossos grandes sucessos atuais. Acho que o povo fez justiça com Teixeirinha, que deu uma enorme contribuição à música regionalista do Rio Grande e do Brasil. Negar sua importância seria uma heresia. Numa época em que a mídia era uma coisa quase inalcançável, ele fez chover."
(Edson Dutra, líder do grupo Os Serranos)

"Ele foi o cara que abriu os caminhos. Pegou um trem foi a São Paulo, gravou um disco e estourou no Brasil todo. Abriu o mercado para o Rio Grande do Sul, foi definitivamente um pioneiro."
(Ayrton dos Anjos, produtor de discos)

"Teixeirinha faz parte da música popular que possa existir dentro de nós. Pelo menos para quem é do interior, da fronteira. No meu caso é um referencial forte, tanto em termos de música como de cinema. Assistir aos filmes dele era uma coisa obrigatória lá em Uruguaiana. Acho que a cultura popular deve muito a Teixeirinha."
(Bebeto Aives, cantor e compositor)

"Em Santo Angelo também nos criamos nessa toada. Teixeirinha foi muito importante, com o tempo vai acabar como paradigma, como patrono desses contadores populares. Sempre que alguém sair com um violão e um toldo, ou uma lona de circo, de alguma forma se terá o termômetro do significado de Teixeirinha, mesmo em um mercado de massas como o de hoje."
(Luiz Sérgio Metz, escritor, autor de Assim na Terra)

"Foi um ídolo popular que tem que ser repeitado, apesar de todo o folclore que se criou em tomo dele. Depois que baixa a poeira, a gente passa a ter mais respeito e a compreender melhor o fenômeno. Sua capacidade de comunicação com a massa era impressionante."
(Santiago, cartunista, criador do Macanudo Taurino)

"Não considero que Teixeirinha tenha acrescentado algo excepcional à música regionalista, mas foi um artista de grande vendagem inclusive no Exterior. Tinha um grande carisma pessoal e um tino comercial muito forte. Tanto que foi pioneiro também no cinema, fazendo filmes de altíssima bilheteria."
(Geraldo Flach, compositor, pianista e arranjador)

"Tenho uma memória maravilhosa do fenômeno Teixeirinha: o dia em que o filme Ela Tomou-se Freira estreou no Rosarião, o velho Cinema Rosário do meu bairro Floresta. Eu era guri e assisti à chegada do Teixeirinha, ele desceu de um Galaxy na frente do cinema. Era uma noite de gala, o bairro todo ficou encantado com aquele momento. Sem contar que nossa empregada sempre estava com o rádio ligado nas músicas dele."
(Luís Augusto Fischer, subsecretário da Cultura de Porto Alegre e professor da UFRGS)

"Considero Teixeirinha, Gildo de Freitas e os Irmãos Bertussi as mais importantes marcas da música regional gaúcha. Não há outros referenciais tão grandes, tão transparentes. E deles certamente o portador da voz mais identificadora do Rio Grande do Sul foi Teixeirinha, com aquele timbre alto, de sino, voz limpa e afinada, cantando um regionalismo às vezes falastrão e às vezes super-romântico."
(Luiz Carlos Borges, cantor e compositor)