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Oscar Boeira



Fonte
material extraído do jornal Zero Hora, 13/08/1997. Gentileza de Elizabeth Kasper.

Houve um tempo em que o RGS também teve os seus Monets, Manets e Renoirs - pintores que fincavam seus cavaletes ao ar livre, mandaram aos diabos o detalhismo classico e se dedicaram à exaltação da luz e da paisagem. O Impressionismo ancorou por estas plagas algo tardio (quase meio século depois da explosão parisiense) e meio de viés (decalcado nos impressionistas cariocas), mas chegou a produzir artistas talentosos e respeitáveis. O maior deles – Oscar Boeira foi lembrado no exposição, uma mostra que reuniu mais de 50 pinturas e desenhos, na Galeria da Caixa Econômica Federal.

Boeira não aparecia em uma exposição dessas há mais de 10 anos. Aliás, não apareceu nem em vida. O pintor gaúcho, nascido em 1883 e morto em 1943, nunca montou uma exposição. Dono de uma autocrítica feroz, distribuiu boa parte do que produziu. Desinteressado pela fama, pouco se preocupou em exibir o que sobrara – cerca de 60 telas.

“Deixou-se viver e morrer em Porto Alegre, insatisfeito, a exigir sempre mais de si”, diz a pesquisadora Marilene Pieta. “Ele vendeu apenas um quadro enquanto vivo, Manhã de Bruma”. Quem comprou foi o então governador do Estado, Getulio Vargas (isso, em 1929, um ano antes de detonar a Revolução).

De temperamento esquivo, metido lá com seus pincéis, o pintor começou acadêmico. Depois estudou com Elyseo Visconti no Rio, foi professor na antiga Escola de Belas Artes de Porto Alegre e acabou por fundar o que Marilena Pieta chama de “um impressionismo fora do lugar”. Um impressionismo mesclado a tendências e cores regionais. Um impressionismo, digamos, pampiano: paineiras, várzeas, manhãs de bruma, bois no capão.

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