Corte Real

Coronel José de Almeida Corte Real (1809-1840)

Significação histórica

Lutou pela Integridade e Soberania do Brasil na guerra Cisplatina 1825-28 como cadete do antigo e legendário Dragões do Rio Pardo e então 5o Regimento de Cavalaria Ligeira. E, com ele, lutou em Passo do Rosário ao comando do Cel Felipe Neri de Oliveira, em 20 de fevereiro de 1827.

Na Revolução Farroupilha participou com ardor, valentia, dedicação e solidariedade ao lado de seus amigos Generais João Manuel Lima e Silva (seu cunhado), Bento Gonçalves e Antonio Netto. Por seu singular cavalheirismo impôs-se à estima e consideração gerais, causando grande consternação seu desaparecimento, em ação, próximo ao arroio Velhaco, em Camaquã, em 18 de junho de 1840.

Naturalidade, ascendência e perfil militar

Nasceu em Rio Pardo em 15 de novembro de 1805. Era filho do Capitão de Dragões Francisco de Borja de Almeidâ Corte Real morto em ação no combate de Catalan, em 4 de janeiro de 1817, na primeira guerra contra Artigas.

Era irmão de Maria Joaquina esposa do general republicano João Manuel de Lima e Silva, por sua vez tio do atual Duque de Caxias.

Por parte de pai tinha suas raízes em Portugal, em Lagos, Algarve. Por parte de mãe era neto do brigadeiro Antonio Pinto da Fontoura, rio-grandense de Rio Pardo (l760-1826) e da carioca Ana Joaquina das Dores. Era trineto de tenente dos Dragões João Carneiro da Fontoura, filho por sua vez de Antonio Carneiro da Fontoura, Morgado de Loires. Seu pai, ao morrer em ação, era comandado do coronel Sebastião Barreto, comandante do Regimento dos Dragões do Rio Pardo na primeira guerra contra Artigas 1816-17.

Em Passo do Rosário, Corte Real teve como comandante de Divisão o mesmo oficial, então marechal e por cuja derrubada do

Traços de seu perfil militar

Sobre seu perfil escreveu Caldeira que com ele privou:

"Corte Real serviu na Guerra 1825-28 como cadete. Por isso dispunha de alguns conhecimentos militares. Era o oficial de trato mais fino e delicado que havia no Exército Republicano. Foi ele considerado valente no ataque de Passo do Rosário, quando caiu prisioneiro.

Foi confirmada a sua coragem e valentia no ataque de Taquari. Corte era amigo sincero de Netto e de Bento Gonçalves."

Segundo Othelo Rosa, "Corte Real, moço e rico não vacilou em sacrificar pela República a mocidade e a riqueza. Era de porte elegante, aprimorado no vestuário, trazendo sempre seu cavalo de montaria ricamente ajaezado (bem aparado). Corte Real foi a seu tempo um galhardo cavalheiro, de renome social, gentil galanteador nos salões".

Estas características sociais o aproximavam de Netto e Bento Gonçalves, grandes expressões gaúchas como cavalheiros e cavaleiros.

Por ocasião da adesão do coronel Bento Manuel Ribeiro pela primeira vez ao Império, Corte Real, com 27 anos, foi feito coronel da Guarda Nacional. Saiu em campanha com o cunhado major João Manoel de Lima e Silva, ao encalço de Bento Manuel que foi batido em Capané. Deixado no comando de uma tropa para observar Bento Manuel, Corte Real, jovem impetuoso, decidiu atacar o experimentado Bento Manuel sem esperar Bento Gonçalves.

Travou-se o combate de Passo do Rosário, de 17 de março de 1836. Corte Real foi batido e preso. Bento Manuel disse que ele fora batido por ser "imprudente e inexperiente, embora impetuoso".

Corte Real foi preso pelo Ten. Manoel Osório

No ataque ao coronel Corte Real comandou a vanguarda o tenente coronel Silva Borges e os seus dois filhos José Luiz Osório e Manoel Luiz Osório, ambos tenentes. O último nesta ação teve o seu cavalo baleado. Segundo contou Fernando Luiz Osório:

"Corte Real, homem elegante e de porte, apresentou-se em combate montado em garboso cavalo, ricamente azaezado e ostentando nos arreios custosos favores de prata. Sendo rodeado por um grupo de legalistas ao mando do tenente Manoel Luiz Osório, dispunha-se a morrer peleando, quando o tenente Osório adiantou-se e bradou-lhe:

- Renda-se, patrício, entregue-me a espada que eu lhe garanto a vida!

Corte Real rendeu-se ao irmão de Osório, que o prendeu e desarmou. Foi neste momento que um soldado legalista aproximou-se sorrateiro do cavalo montado por Corte Real, com o fito de cortar um estribo de prata do valente chefe farrapo. Este ao pressentir a intenção do soldado o chutou no queixo arremessando-o no chão."

Corte Real foi enviado preso para a cidade de Rio Grande pelo capital Mazzaredo que comandava, ao iniciar a Revoluçâo o 2o RC de Bagé, quando foi conduzido até a fronteira, são e salvo, pelo tenente Osório que aderira à Revoluçâo no seu início.

Enviado ao Rio de janeiro, lá esteve preso na Fortaleza de Santa Cruz até conseguir evadir-se, em l1 de março de 1837, depois de quase um ano de prisão segundo contou Caldeira que lá estava.

Foi Ministro do Interior da República em Piratini, tendo como 1o escriturário nosso bisavô José lgnácio Moreira Filho que veio a ser o primeiro serventuário de justiça no município de Canguçu, ao ser criado em 1857, quando Presidente da Província Jerônimo Coelho, que era Ministro da Guerra do Império, por ocasião da Paz de Ponche Verde.

Ignácio era irmão de Serafim que exercia as funções de 1o Escriturário do Ministério da Guerra e, ao que consta, sobrinhos de Domingos Moreira, Presidente da Câmara de Vereadores de jaguarão, a primeira a aprovar a República Rio-Grandense, proclamada depois do combate do Seival - 11 de setembro de 1837. Corte Real participou de diversas ações como em Seival. Foi morto numa emboscada imperial no arroio Velhaco atingido por duas balas, no momento em que adentrava o corredor da casa da fazenda de Marcos Alves Pereira Salgado, no local conhecido por Barba Negra, no dia 11 de junho de 1840. Possuía 31 anos.

Acreditando tratar-se da força de Antonio Netto, só identificou, tarde demais, tratar-se de uma força imperial destacada por Chico Pedro e ao comando direto de João Patrlcio de Azambuja.

Sua morte causou consternação geral, até entre imperiais. Seguia ele seu cunhado João Manoel, 3 anos antes tocaiado e assassinado, inerme, com requintes de perversidade, em São Borja.

Origem:

Esta biografia foi extraída do volume I de 'O exército farrapo e os seus chefes', extensa obra em dois volumes confeccionada pelo historiador militar e Coronel Cláudio Moreira Bento. O site do pesquisador pode ser acessado em: pt.wikipedia.org/wiki/Cláudio_Bento

Publicado por Roberto Cohen em 22/01/2003.

Editado por Roberto Cohen em 20/11/2003.