Jayme Caetano Braun
por Paulo Santana



Por que na rinha da vida
Já me bastava um empate!
Pois cheguei no arremate
Batido, sem bico e torto...
E só me resta o conforto
Como a ti, galo de rinha,
Que se alguém dobrar-me a espinha
Há de ser depois de morto.

Raramente um homem se identificou tanto com sua terra como este colosso poético chamado Jayme Caetano Braun.

O seu cântico tinha o cheiro da tapera, do rancho de pau-a-pique, do zaino, do guamirim, do quero-quero, do camoatim.

Mas principalmente seus versos canoro endeusavam o xiru, o índio, o negro, personagens pampianas que se misturavam aos apetrechos que impunha a solidão, aporreada somente pelas pausas semanais da cana, do fandango, da rinha, das carreiras, do namoro com a china, do esparramo das rixas de facão e revólveres, tão bem narrados nos versos encantados deste gigante da poesia xucra que sepultamos ontem.

Mas a mais excelsa de todas as virtudes deste artista inigualável foi o seu improviso, a sua divina trova espontânea, que deixava a todos perplexos com a forma culta e filosófica com que ele ia adornando o repente, dando-nos a certeza de que seu gênio parecia reunir o talento de todos os literatos de cordel nordestinos, no que ele se pode dizer foi o único aqui pelo Sul.

Morreu um taura. Resta-nos saborear a sua lembrança e a memória. E contar a lenda do grande trovador.