Missa Crioula
Celebrada no Centro de Tradições Nativistas
Jayme Caetano Braun - CTN - JCB
Brasília, DF, em 14 de julho de 1999
7o dia do falecimento de Jayme Caetano Braun


gentileza de José Claudio Soto Vidal

Estou te mandando, no anexo, o texto da Missa de 7.Dia que o Centro de Tradições Nativistas Jayme Caetano Braun - CTN-JCB fez celebrar em memória de seu patrono. O celebrante foi o capelão do Exército, que serviu em Uruguaiana (embora seja mineiro). Se te parecer bem, podes inserir na Página. Trata-se de um colagem de orações, poemas e comentários dos seguintes autores:

Padre Paulo Aripe (o Padre Potrilho);
João Francisco Petrocelli (atual coordenador da 1.Região Tradicionalista do Planalto Central);
do autor destas mal traçadas linhas; e
do próprio Jayme Caetano Braun.

Não sei se tu és católico (teu sobrenome não indica isso), mas espero que gostes do texto.

Buenas e gracias.
JCSVidal


Coment.: Gauchada aqui presente, iniciamos esta celebração numa data triste para os gaúchos, mormente para nós, de Brasília e do CTN. Neste encontro, junto ao palanque sagrado de um altar de galpão, viemos conversar com o Patrão do Céu, levantar nossa voz em oração por ocasião do falecimento do nosso patrono, o poeta e pajador missioneiro Jayme Caetano Braun. Tocando a vida pelo corredor da existência, chegamos neste galpão fraternal para oferecer ao Patrão Deus, numa charla espiritual, nossas melhores intenções relembrando as palavras do próprio poeta e pajador:

E um dia, quando souberes
Que este gaúcho morreu,
Nalgum livro serás eu.
E, nesse novo viver,
Eu somente quero ser
A mais apagada imagem
Deste Rio Grande selvagem
Que até morto hei de querer.
(JCB - "Meu verso")

Vamos, portanto, preparar o altar para que fique com um jeito gaúcho, colocando sobre ele símbolos e objetos do nosso dia-a-dia.

Dois lenços, trazidos por dois gaúchos, para atar na cruz de madeira.

São dois lenços, dois emblemas
Um branco, outro colorado,
Relíquias que no passado,

Voejaram com altivez
Levando, mais de uma vez,
Da campanha ao litoral,
A gauchada bagual
Que, de lança e boleadeira,
Incendiou serra e fronteira,
Atropelando um ideal.
(JCB - "Branco e Colorado")

A gurizada vem trazendo as nossas bandeiras, flores, frutas, chimarrão cevado, arreios, aperos, ferramentas e talheres, simbolizando o dia-a-dia campeiro.

Canto de entrada

Apeia, gaúcho, ...

Com.: Patrão e patroa, prendas e peonada desta querência, Centro de Tradições Nativistas Jayme Caetano Braun, gauchada amiga deste rincão, tradicionalistas do Rio Grande do Sul e de outras partes. Hoje é dia de luto pelo 7o dia da morte do nosso patrono. Mas nós não estamos aqui para celebrar a separação da morte, queremos celebrar a vida, na ressurreição que o Patrão do Céu e o Seu Filho Jesus oferecem aos que lhe seguem, celebrando os mistérios da nossa Redenção e Salvação. Os versos de Jayme Caetano Braun falam da alma gaúcha e da vida campeira.

Te foste, como outros foram
Pro velho pago do Além,
Aonde um dia, também,
Eu quero bolear a perna.
E o Patrão que nos governa,
Que por certo é teu amigo,
Há de ser bueno contigo
Aí na Querência Eterna.
(JCB - "Prece")

Padre: Amigos gaúchos, neste galpão fraterno que tem me acolhido sempre, venho de novo tomar um mate com vocês. Quero repontar este rebanho do Tropeiro Divino e repartir com todos o alimento espiritual. Venho com vocês oferecer ao Patrão do Céu preces por alma do nosso patrono Jayme Caetano Braun, que a esta hora está tomando seu amargo com São Pedro, padroeiro do Rio Grande, lá na Querência Eterna.

Pra saudade não tem cura,
E só me resta o consolo
Pensar no pago crioulo
Onde minha alma se ajoelha.
E, se ao bom Deus der na telha,
Quero, por suprema graça,
Desconjuntar a carcaça
Naquela terra vermelha.
(JCB - "Missioneiro")

Padre: E o nosso encontro será, como sempre, abençoado pelo Xirú Velho, o Patrão do Céu.
Coment.: E agora nos arremanguemos, gauchada, porque vamos nos benzer. Padre: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Todos: Amém.
Padre: A Graça de Deus, nosso Pai, e de Jesus Cristo, nosso Senhor, estejam convosco.
Todos: Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Ato Penitencial
Padre: A Missa é a renovação do sacrifício que o Filho do Patrão Santo realizou na coxilha do Calvário. Estamos lembrando aqui, perante esta cruz tosca, o altar do Cordeiro de Deus sacrificado. Olhando para esta cruz, recordamos o amor e o perdão do nosso querido Amigo do Céu e nossa alma se retorce de arrependimento pelas bobeadas que andamos fazendo. Vamos pedir o perdão do Patrão Celestial. (pausa)

Todos: Perante todos, Patrão Santo, reconheço
que pequei por minha culpa unicamente.
Vos suplico o perdão que eu não mereço,
pois, de fato, me arrependo humildemente.
Vós sois bom e perdoais, eu agradeço,
por Maria, Virgem Prenda e Mãe clemente.
Pelos méritos dos Santos, eu vos peço,
participe desta Missa totalmente.

Padre: O Patrão Velho, Deus Todo-Poderoso, tenha compaixão de nós, perdoe nossos pecados e nos conduza à Estância da Felicidade Eterna.
Todos: Amém.

Um dia, quando eu me for,
Rumbeando a Querência Eterna,
Onde bolearei a perna
Diante do meu Criador,
Não chorem o pajador
Do velho pago florido,
Que há de cantar comovido
Até o último repuxo,
Porque só em nascer gaúcho
Vale a pena ter vivido!
(JCB - "Milonga do Pajador")

Padre: Louvemos a Deus pelo dom da vida, pelo perdão que alcançamos e pela graça de termos convivido com um homem bom e inspirado como Jayme Caetano Braun.

Canto de Louvor
Honra e glória nas alturas
Ao Patrão da Eternidade,
Paz na terra às criaturas
E aos que tem boa vontade.

Nós louvamos, bendizemos,
Vos adoramos com glória,
E com fé reconhecemos,
Oh! Cristo! Rei da vitória.

Nós também agradecemos
Vossa infinita grandeza,
E sempre vos louvaremos
Criador da natureza!

Ao Filho Onipotente,
Jesus, Divino Cordeiro,
Que morreu valentemente
Pra salvar o mundo inteiro.

Dizemos muito obrigado
Por esse amor tão profundo
Jesus, Cordeiro Imolado,
Perdoai os erros do mundo.

Juntinho do Pai Eterno
Glorioso reina Jesus,
Salvai vosso rebanho
Que conquistastes na cruz.

Sois o Deus dos corações,
Jesus Cristo eu vos garanto
Junto ao Patrão dos patrões
E com o Espírito Santo

Um só Deus que o povo adora,
Um só Patrão na verdade,
Pelos séculos afora
e por toda a Eternidade.

Padre: Oremos - Patrão Celestial, aqui estão vossos amigos, a peonada do CTN, a indiada forte da nossa terra, ainda chucra, mas de boa vontade, às vezes precisando de cabresto e doma, mas também da bênção, para que, nas carreiras da vida, vagando ou tropeando, na lida difícil, tanto na cidade como no campo, possam ser gaúchos bons e caridosos com seus semelhantes, na vossa lei de perdão, de amor e de paz. Isto vos pedimos, querido Pai do Céu, por vosso Filho, Jesus, que veio camperear conosco na invernada deste mundo, em unidade com nosso vaqueano, o Divino Espírito Santo.
Todos: Amém.

1a Leitura

Coment.: Vamos ouvir um trecho do livro da Sabedoria (3, 1 - 9), em que se destacam as maravilhas que o Patrão Deus reserva na Estância do Céu.

Leitor: Leitura do Livro da Sabedoria - A vida dos justos está nas mãos de Deus, nenhum tormento os atingirá. Aos olhos dos insensatos, pareceram morrer; sua partida foi tida como uma desgraça, sua viagem para longe de nós pareceu um aniquilamento, mas eles estão em paz!

Aos olhos humanos pareciam cumprir uma pena, mas sua esperança estava cheia de imortalidade; por um pequeno castigo, receberão grandes favores.

O Patrão Deus os colocou a prova e os achou dignos de si, os examinou como ouro no crisol e os aceitou como sacrifício perfeito. No tempo em que o Patrão Deus vier de visita, os justos vão resplandecer e vão deslizar como fagulhas no meio da palha. Vão julgar as nações, dominar os povos e o Patrão Santo vai reinar sobre eles para sempre.

Aqueles que confiam no Xiru Velho da Eternidade vão compreender a verdade, e os que são fiéis no amor vão permanecer com Ele, pois que a graça e a misericórdia estão reservadas para seus santos, e a visita do Patrão Deus é para os seus eleitos.

Palavra do peão do Senhor.
Todos: Graças ao Patrão do Céu.

Salmo responsorial - Salmo 26
L: O Patrão Santo é minha luz e salvação
T: O Patrão Santo é minha luz e salvação
O Patrão Santo é minha luz e salvação, / não tenho medo de ninguém. / O Xiru Velho do Céu é a força da minha vida, / Eu teria medo de quê?
T: O Patrão Santo é minha luz e salvação
Inda que uns malevas se viessem contra mim, / meu coração confia em Deus; / Se uma revolução estourasse de repente, / Mesmo assim tenho fé no Patrão Deus.
T: O Patrão Santo é minha luz e salvação
Só uma coisa pedi ao Patrão Santo: / eu quis morar na sua Estância para sempre. / Ventava forte, e me abrigou no seu galpão, / me incentivou pra que eu erguesse mi'a cabeça.
T: O Patrão Santo é minha luz e salvação

2a Leitura

Coment.: Vamos ouvir um trecho da carta que São Paulo escreveu pros seus amigos de Roma, falando da certeza da vida e da ressurreição (6, 4 - 9).
Leitor: Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos - Meus irmãos, pelo Batismo nós fomos sepultados para o pecado e a morte, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória de Deus, assim também nós vivamos vida nova.
Porque, se nos tornamos uma coisa só com Cristo por uma morte semelhante à dele, seremos uma coisa só com ele também por uma ressurreição semelhante à dele, sabendo que a pessoa velha foi crucificada com Cristo, para que fosse destruído esse corpo carcomido de pecado. De fato, quem morreu ficou livre do pecado.
Se morremos com Cristo, temos fé que vamos viver com Ele, sabendo que Cristo, ressuscitado dentre os mortos, já não morre mais, a morte não tem mais domínio sobre Ele.
Palavra do peão do Senhor.
Todos: Graças ao Patrão do Céu.

Coment.: Jesus, o Cordeiro Divino, durante trinta anos viveu no seu rancho, tendo por companheiro e pai de criação, o carpinteiro José, e sua mãe Maria, a Primeira Prenda do mundo. Depois dessa quantidade de anos, passou mais três campeando entre as cidades, reunindo a peonada para formar o Reino Eterno da Salvação. Agora, Ele tem umas belas mensagens para o nosso pessoal.
Vamos ouvir as promessas de vida contadas por Jesus e anotadas pelo peão São João. De pé, vamos saudar a Palavra do Filho do Patrão Deus.

Canto de aclamação

Levanta, gaúcho / Escuta a palavra de pé,
Depois agüenta o repuxo / Seja o que der e vier.

Leitura do Evangelho - João 6, 32 - 35. 40
Padre: O Senhor esteja convosco
Todos: Ele está no meio de nós
Padre: Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João
Todos: Glória a vós, Senhor
Padre: Jesus disse: "Em verdade eu lhes digo: não foi Moisés que lhes deu o pão do Céu, mas é meu Pai quem dá o verdadeiro pão do Céu; porque o pão de Deus é aquele que desce do Céu e dá vida ao mundo".
Disseram a Jesus: "Mestre, dá desse pão sempre pra nós".
Respondeu Jesus: "Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais vai ter fome. Quem acredita em mim nunca mais vai ter sede. Essa é a vontade do meu Pai: quem vê o Filho e acredita nele tem a vida eterna e eu o vou ressuscitar no último dia".
Palavra da Salvação
Todos: Glória a vós, Senhor

Coment.: Podemos sentar.
Padre: (Sermão)

Profissão de Fé
Coment.: Neste momento, vamos reafirmar em conjunto que acreditamos no mistério de Jesus Cristo.

Conta a Sagrada Escritura,
E a gente acredita nela,
Que o Autor da Mensagem Bela
De carinho e de ternura,
O que trazia a alma pura
Em todas as dimensões,
O Autor de mil sermões
De montanha e descampado
Acabou crucificado
No meio de dois ladrões.
(JCB - "Paraíso Perdido")

Canto

Eu creio num só Deus, meu Pai Celeste,
Que tudo fez, tudo criou, tudo reveste,
Que do nada tirou tudo o que é visível,
Igualmente Ele é quem fez o que é invisível.

Eu creio no Patrão que está no Céu,
E no Tropeiro Jesus, Filho de Deus,
Que do Pai nasceu, porém nunca começou;
É Deus de Deus, luz de luz que nos salvou.

Gerado pelo amor de Deus que é Santo
Igual em tudo ao Pai do Céu que Ele ama tanto
Para nos salvar desceu do céu com alegria
E se fez homem pelo seio de Maria.

Tratando com amor homens ingratos
Morreu na cruz condenado por Pilatos.
Para demonstrar que era Deus, às criaturas,
Ressuscitou bem conforme as Escrituras.

Subiu aos céus, retornando à sua Querência,
No fim do mundo, voltará com imponência,
Há de vir julgar com justiça a humanidade,
Reunindo os bons, na feliz eternidade.

Por isso firmemente eu acredito,
No Espírito Santo, que é também Deus Infinito,
Que com Deus Pai e com Deus Filho é um só Patrão,
Nasceu dos dois com direito à adoração.

Foi Ele quem falou pelos profetas,
É quem dirige a humanidade em cancha reta.
Creio na Igreja do Divino Tropeiro,
Que prega a fé, congregando o mundo inteiro.

Aceito um só batismo, que perdoa,
É a marca santa, que Jesus põe na pessoa,
A morte apenas é porteira para o além,
Pois, nossa vida continua sempre. Amém.

Oração dos fiéis

Padre: - Meus irmãos gaúchos, coloquemos nas mãos do Patrão Santo, com toda confiança e franqueza, nossos rogos e agradecimentos pelo nosso patrono falecido e também por todos nós. A cada prece, respondamos juntos:
Todos: Escuta, Patrão Santo, a nossa prece:

  1. Pelo nosso amigo e patrono Jayme Caetano Braun, que se bandeou desta vida, para que encontre felicidade completa na Estância da Eternidade, rezemos.

  2. Pelos familiares e amigos de Jayme Caetano Braun, para que encontrem na fé o conforto para o seu sofrimento da ausência e da saudade, rezemos.

  3. Pelo povo gaúcho e por todos nós reunidos nesta Missa galponeira, para que na nossa hora sejamos acolhidos como filhos pelo Patrão da Estância do Céu, rezemos.

  4. Pelos mortos, nossos parentes e amigos que já se bandearam para a Estância do Além, para que possam chimarrear com Deus na Querência Eterna da felicidade, rezemos.

  5. Por todas as pessoas que atualmente estão pesteadas, passando mal, para que alcancem a cura física e também o alívio espiritual, rezemos.

  6. Por todos os Centros de Tradições, para que cultivem os sadios valores da fraternidade, de modo especial por este nosso CTN agora na saudade do nosso patrono, rezemos.

  7. Pelos gaúchos sem rancho, sem escola e sem pão, abandonados no corredor da existência, para que possam ter uma ocupação remunerada e alcançar uma vida digna, rezemos.

  8. Pelo Brasil, nossa Pátria, pelos pagos rio-grandenses e do Distrito Federal, para que proporcionem a seus filhos, paz, fraternidade e progresso, rezemos. Padre: Aceita, Patrão Universal, Criador do Céu e da Terra, os pedidos que fizemos; que nossa oração seja socorro para todos os fiéis falecidos e possa ser atendida pela bondade de Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo.

Todos: Amém.

Ofertório

Coment.: É chegado o momento em que trazemos pro altar, junto com o pão e o vinho, aquilo que de melhor temos: nossa vida, nossos trastes, nossa tradição, o amor pelos pagos. Tudo isto oferecemos ao nosso Patrão Santo. Pão e vinho, produzidos a partir do trigo e da uva, representam nosso viver cotidiano, os frutos da nossa terra transformados pelo trabalho de muita gente.

A ti, meu velho Patrão do Céu,
Joelhos no chão, ofereço
Este rústico adereço
Trançado de couro cru.
É uma prece de chirú
Que rezo encruzando os dedos
Já que não tenho segredos
Pra um amigo como tu.
(JCB - "Oferta")

Canto de Ofertório

  1. Nesta Missa, Patrão do Universo / Ofertamos o vinho e o pão / Em sinal que és dono de tudo / Somos teus, és o nosso Patrão.
    É o sacerdote em nosso nome / Quem oferece o vinho e o pão / E nesta Missa bem crioula / vem receber, ó Eterno Patrão.

  2. Este pão representa o trabalho / Nossas lutas e preocupações / Este vinho é o nosso descanso / Alegrias, prazer, diversões.

  3. Neste pão que é de trigo ofertamos / O churrasco, o alimento, a comida / Neste vinho que é fruto da uva / Nosso mate, café e bebida.

  4. Ofertamos no pão nosso corpo / Com as doenças e com a saúde / E no vinho entregamos nossa alma / Nossos erros e nossa virtude.

Padre: Orai, irmãos e irmãs, para que o nosso sacrifício seja aceito por Deus Pai Todo-Poderoso.
Todos: Receba o Patrão Deus por tuas mãos este sacrifício, para a glória do Seu nome, para o nosso bem e de toda a Igreja.
Padre: Santo Patrão do Céu, lançai no pealo de fé bem forte nossos gaúchos,
tradicionalistas e simpatizantes, para que andem unidos de quatro costados na paz, na justiça e no amor para conquistar o Reino Celestial. Ao nosso patrono Jayme Caetano Braun, acolhei-o na Querência Eterna, porque sempre confiou em vossa bondade. Isto vos pedimos, querido Patrão, apoiados no Tropeiro Divino, Jesus Cristo, que veio camperear conosco neste mundo e vive na unidade do vaqueano Espírito Santo.
Todos: Amém

Oração Eucarística para a Missa Crioula

Padre: O Senhor esteja convosco
Todos: Ele está no meio de nós
Padre: Corações ao alto
Todos: Nosso Coração está em Deus
Padre: Demos graças ao Senhor, nosso Deus
Todos: É nosso dever e nossa salvação.
Padre: É justo e necessário, de verdade,
Dar-vos graças, Pai Santo, eternamente
Quis Jesus oferecer o seu perdão,
Condenado a morrer sendo inocente.
Sua morte apagou nosso pecado,
Deu a vida pela nossa Salvação.
Com os anjos, arcanjos, querubins,
Concedei-nos, com esse coro celestial,
Todos juntos cantar vossos louvores
A uma voz, Patrão Santo Universal !

Santo (cantado)

Padre: Querido Patrão do Céu,
Vós sois Santo, na verdade,
a fonte de santidade
que brota sempre fecunda,
jorrando a graça que inunda
as almas da humanidade.

Santificai nossas ofertas
neste altar, que eu quero tanto,
derramando sobre elas
o vosso Espírito Santo.
Que se tornem para nós
Corpo vivo de Jesus
e o Sangue do vosso Filho,
derramado sobre a cruz.

Estando para ser entregue
e abraçando livremente
sua sagrada paixão,
Jesus Cristo onipotente,
tomou na mão este pão.
Depois deu graças, benzendo.
Distribuiu aos amigos, dizendo:

Tomai, comei, todos vós,
Este é o meu Corpo Sagrado
Que por vosso amor na Cruz
Há de ser crucificado.

Do mesmo modo, ao final
Desta ceia sacrossanta,
Jesus põe vinho no cálice
E em suas mãos o levanta,
Dando graças novamente,
Olhando aos céus, bendizendo,
Passa pros seus discípulos,
Estas palavras dizendo:

Tomai e dele bebei,
Este cálice contém
Meu sangue da Nova Aliança,
Que, só para o vosso bem,
No sacrifício da cruz,
Será todo derramado
Pela salvação do mundo,
Em remissão do pecado.
Cada vez que celebrardes
Este mistério sem fim,
Fazei-o, eu vos ordeno,
Sempre em memória de mim.

Eis o mistério da fé
aqui na consagração!

Todos: E toda vez que tomamos
deste vinho e deste pão
anunciamos vossa morte
e vossa ressurreição;
aguardando vossa vinda,
pra nossa libertação.
Celebrando o memorial
Da morte e ressurreição
A vós, Divino Patrão,
Ofertamos imolado
Vosso Filho Consagrado
Neste Vinho e neste Pão.

Patrão Santo, agradecemos
Vossa divina bondade
Em nos dar dignidade
De estarmos firmes na crença
Em Vossa Augusta Presença
Vos servindo na humildade.

Dai-nos o Espírito Santo,
Querido Pai Celestial,
Para todos, em geral,
Vosso Filho, ao comungarmos,
Na fé e no amor formarmos
Um só corpo espiritual.

Lembrai-vos, também, Pai Santo,
Da Vossa Igreja divina
Que no mundo peregrina,
No rumo da Eternidade
Conduzindo a humanidade,
No andar que Cristo ilumina.

Recebei na Estância Eterna,
Vossos fiéis falecidos,
Os nossos entes queridos,
Que partiram na esperança
De chegarem sem tardança
À glória dos ressurgidos

De todos aqui presentes
Tende piedade, Patrão,
Dai-nos participação
Na graça, na fé e no amor
E, unidos ao Salvador,
Cheguemos à salvação.

Com Vossos santos e apóstolos
E com a Virgem Maria,
Possamos chegar um dia
Aos eternos resplendores
Pra cantar Vossos louvores
E Vos amar com alegria.

Por Cristo, com Cristo e em Cristo,
A Vós, Pai Onipotente,
Toda honra conveniente
E toda glória, portanto,
Junto ao Espírito Santo
Vos damos eternamente.

Todos: Amém

Coment.: Nós sabemos que morte é "passagem". Na confiança de que o Patrão Deus vai nos acolher na Estância Eterna, rezemos juntos.
Todos: Pai Nosso, que estais no Céu, santificado seja o Vosso nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação mas livrai-nos do mal.
Padre: Livrai-nos, querido Patrão Celestial, da guerra e da revolução, da injustiça e de todos os males. Ajudados pela Vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos dos perigos e entreveros, enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda do Tropeiro Divino, Jesus Cristo Salvador.
Todos: Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre.

Celebração da Paz

Padre: Aos apóstolos, Jesus,
Vós dissestes com lealdade:
Eu vos deixo a minha paz.
Vos pedimos com bondade,
não olheis nossos pecados,
olhai a fidelidade
de Vossa Igreja e nos dai
a paz, o amor e a unidade
Vós que sois Deus, com o Pai
e o Espírito da Verdade.

Todos: Amém
Padre: A paz do Senhor esteja sempre convosco.
Todos: O amor de Cristo nos uniu.
Padre: Já que vamos comer à mesma mesa com Jesus, vamos antes nos cumprimentar.
Gaúchos, saudemo-nos uns aos outros em Cristo.

Comunhão

Padre: Cordeiro de Deus,...
Todos: que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós. Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós. Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, dai-nos a paz.
Padre: Felizes os convidados para a Ceia do Senhor. Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo.
Todos: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo.
Padre: O Corpo e o Sangue de Cristo nos guardem para a vida eterna.
Todos: Amém.

Coment.: Nosso patrono, agora, anda lá pela Querência Eterna, churrasqueando e mateando com o Patrão Deus.

E agora que estás vivendo
Na Estância grande do Céu,
Engraxando algum sovéu
Pro Patrão Velho buenacho,
Lembra sempre aqui de baixo,
onde a lo largo inda existe
Muito xiru velho e triste
Como tu, criado guacho!
(JCB - "Tio Anastácio")

Nós, aqui, para termos força de camperear pela vida, vamos nos aproximar da mesa onde celebramos a fraternidade, onde temos como refeição o Cordeiro de Deus que nos livra de todo mal e nos faz seguidores do caminho, da verdade e da vida, na sua doutrina de justiça e de paz. (pausa) Aqueles que estão preparados e sabem o que significa receber o Pão consagrado podem se aproximar da mesa.

Canto de comunhão

  1. Jesus Cristo, Divino Tropeiro, / feito pão sobre a mesa do altar, / vem reunir teu sagrado rodeio / para a Eterna Querência levar.

    Se o churrasco e o mate saciam / minha fome diária de pão, / muito mais o Teu Corpo e o Teu Sangue / matam a fome do meu coração.

  2. Nosso corpo reclama alimento / que dê força e energia à vontade. / Mas também nosso peito tem fome / de Jesus e de felicidade.

  3. Pra saciar nossa fome do corpo, / nos concedes o pão material: / pra saciar nossa fome de Deus / nos entregas teu Pão celestial.
  4. Pois se o mate e o churrasco dão vida, / essa vida se acaba na morte: / mas quem come teu Corpo e teu Sangue / sempre tem vida eterna, mais forte.

  5. Foi por isso que Tu nos disseste: / quem não come meu Corpo e meu Sangue, / não tem vida na Estância do Além. / Vem, ó Cristo, alimenta o Rio Grande.

Reflexão e ação de graças

Coment.: Gaúchos tradicionalistas, peonada aqui reunida, o gaúcho sincero não deixa seu companheiro a pé, deve abrir o coração às pessoas menos abonadas, socorrer na doença e na necessidade a um irmão. Isso é celebrar a fraternidade. Um belo dia, tal como nosso patrono, vamos todos puxar o freio diante da porteira do Além e apear na Estância da Eternidade.

Ao bom Deus, que é rio-grandense,
Sempre peço, enquanto vivo,
Um chimarrão para o estrivo
Quando chegar o meu fim.
E, se Ele quiser assim,
Vá destacando uma china
Que lá na Estância Divina
Prepare o mate pra mim.
(JCB - "Chimarrão do Estrivo")

Este é o momento de agradecer a Deus pelo dom da vida

Vaqueano! Onde estás vaqueano?
Há um eco que interroga.
A evolução pôs à soga
O meu destino haragano,
Morre o último pampeano,
Mas eu - vaqueano - não morro!
O meu pingo, o meu cachorro
Há muito foram proscritos,
Mas guardo n'alma infinitos
Que tempo adentro percorro
(JCB - "Vaqueano")

Por isso, quando eu me for,
Rumbeando a plaga divina
Que ninguém lamente a sina
deste andejo pajador.
E, se Deus Nosso Senhor,
Nosso Patrão soberano,
Precisar de algum vaqueano
Que entenda de campo e potro,
talvez que, na falta doutro,
Lembre do Jayme Caetano!
(JCB - "Milonga do Tio Modesto")

Não precisará quem chore,
Quando cambiar de querência
pra buscar noutra existência
Que a luz da sorte melhore,
Pois, o Jayme já é folclore,
Sanga do campo que corre,
A vida pra ele é um porre
Dum existir sem viver. Quando expirar, vai nascer,
Que um pajador nunca morre!
(JCB - "Daniel Paiva")

Se não houver campo aberto,
Lá em cima, quando eu me for,
Um galpão acolhedor
De santa-fé bem coberto,
Um pingo pastando perto,...
Só de pensar me comovo,
Eu juro, pelo meu povo,
Nem todo o Céu me segura,
Retorno à velha planura
Pra ser gaúcho... de novo!
(JCB - "Galpão Nativo")

Padre: Oremos - Nós vos louvamos e enaltecemos, querido Patrão e Pai do Céu, aqui no galpão do CTN, e queremos vos louvar sempre, pois criastes tudo para o bem desta peonada, de quem vós sois vaqueano e companheiro na lida de cada dia. Ficai sempre conosco, Pai do Céu, nesta querência, neste galpão, no rodeio da vida. Acompanhai com vosso olhar de bom Patrão as galopeadas, as laçadas, os torneios, as gineteadas destes vossos filhos guapos. Que a memória do nosso patrono, Jayme Caetano Braun, um gaúcho missioneiro de cepa, sirva para estreitar amizades com a gauchada toda. Isto vos pedimos, querido Patrão Celestial, por Jesus, Vosso Filho e nosso irmão, que veio camperear conosco na invernada deste mundo, em união com nosso vaqueano, o Divino Espírito Santo.
Todos: Amém. (avisos)

Padre: O Senhor esteja convosco.
Todos: Ele está no meio de nós.
Padre: A benção do Patrão Santo
desça agora do Além
e nos conserve no bem,
com fé, sempre no trilho,
em nome do Pai, do Filho
e do Espírito Santo,
Todos: Amém.
Padre: Termina a Missa, companheiros, mas não se acaba nossa fé dentro do peito. Fiquemos em paz e o Senhor nos acompanhe.
Todos: Graças a Deus.

Canto final

Patrão Velho, muito obrigado
Por este céu azul
Por esta terra tão linda
Pelo Rio Grande do Sul
Por ter me feito gaúcho
Que veio deste lugar
E a lua cheia surgindo
Fazendo o guasca sonhar
Muito obrigado
Pelas andanças do pago
Pela chinoca faceira
E o gosto do mate amargo

Patrão Velho, muito obrigado
Pelos fandangos de galpão
Pelos domingos de rodeio
Nos campos do meu rincão

Pela geada caindo
Formando em branco o capim
Por esta chama rebelde
Que queima dentro de mim
Muito obrigado
Por estas almas andarilhas
Que como vento minuano
Vagueiam pelas coxilhas