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Cotidiano



Fonte
Livro "História do Rio Grande do Sul", autoria de Telmo Remião Moure. Editora FTD Ltda. 1994.

Os grupos que ocupavam a banda oriental do rio Uruguai vivam em tribos independentes entre si. Cada tribo desenvolveu usos e costumes próprios. Não existiam governos organizados segundo os padrões da história europeia. As chefias tinham caráter mais operacional do que de mando. Os assuntos mais importantes eram resolvidos em reuniões com todos os homens da tribo. A igualdade entre os membros da tribo era um princípio fundamental e constante. As diferenças individuais implicavam em divisões de tarefas por sexo, idade, habilidade para caçar e força para a guerra.

Caçavam emas, veados, perdizes, perus, lontras, capivaras, lagartos, jaguares, pumas, zorros, cobras. Nos rios e na costa oceânica apanhavam peixes e moluscos. Coletavam plantas e frutas silvestres como o araçá, a pitanga e o butiá. As tribos semissedentárias cultivavam batata, mandioca, amendoim, milho, abóbora, algodão e mate. O cultivo era feito em lugares úmidos e protegidos pela mata. Domesticavam espécies de galinhas e patos, além de papagaios e pequenos animais selvagens.

O comércio entre as tribos era quase desconhecido. As tribos guaranis produziam alguns tecidos que eram trocados com outras tribos, sem regularidade.

Não foram artistas, mas foram artesãos. Trabalharam a madeira, o osso, o barro e a pedra produzindo objetos destinados à guerra, à caça, à pesca e à preparação de alimentos.

A caça e a guerra exigiram a criação de armas mais ofensivas do que defensivas. Para triunfarem nas lutas utilizavam os ataques de surpresa, as falsas fugas e emboscadas. Pintavam o rosto e o corpo para aterrorizar o inimigo e para dissimulação entre as folhas dos vegetais.

Acreditavam em uma vida pós-morte, visto que havia rituais ao enterrarem os mortos em cestos de palha ou urnas de barro. Existiam tantas religiões quantas eram as organizações tribais. Há histórias que se referem à origem do mundo, à criação do homem (gerador do grupo social), às divisões de tarefas e obrigações sociais, às diferenciações entre o bem e o mal.