Uruguaiana

(24/04/1847)

O mineiro seduzido pela fronteira

Poucas cidades no Estado devem seu surgimento aos farroupilhas quanto Uruguaiana. Numa época em que a ocupação da região não passava de algumas fazendas espalhadas pelas grandes extensões de terra, coube ao farroupilha e ministro da Fazenda do governo de Bento Gonçalves, Domingos José de Almeida, a idéia de fundar um povoado estratégico na fronteira com a Argentina.

Ao examinar o local para a instalação do novo povoado, Domingos José de Almeida escreveu, em 1841: "Oferece uma excelente posição militar que para o futuro poderá fazer grande peso na balança política e comercial com nossos vizinhos." Nascido em Diamantina, Minas Gerais, em 1797, Almeida migrou para o Estado ainda jovem, com 22 anos de idade, para conduzir tropas de mula a serem vendidas no centro do país.

Encantado com a terra e a gente do Sul, o mineiro resolveu se instalar na cidade de Pelotas, onde logo abriu um escritório destinado à venda de charque para o centro do país e para o Exterior. Poucos anos depois, tornou-se proprietário de uma pequena charqueada às margens do rio São Gonçalo, o que fez dele um dos cidadãos mais prósperos de Pelotas nessa atividade.

O professor Vanderlei Rodrigues comenta que um dos traços mais característicos de Almeida era sua convicção liberal. "Almeida acompanhava todos os movimentos de cunho liberalista que ocorriam no Brasil", explica o professor. Em 1822, tirou dinheiro do próprio bolso e custeou uma manifestação pública em Pelotas para comemorar a Independência do Brasil.

Além de liberal, Almeida era homem preocupado com a escolaridade da população. Enquanto deputado na Assembléia Provincial, em Pelotas, lançou a campanha de alfabetização da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. O então deputado inconformava-se com o fato de o Paraguai contar com 408 escolas públicas e a província local não ter nenhuma.

Estátua para o homem das carretas

Começa a Revolução Farroupilha e Domingos de Almeida recebe uma tarefa dos amigos: organizar, além do parque bélico farrapo, na cidade de Pelotas, a fábrica de arreamento para a cavalaria. Os exércitos de deslocavam (Piratini, Caçapava, Alegrete), e ele movimentava os arquivos do governo e o seu arsenal pela Campanha gaúcha sempre em carretas.

"Por isso a revolução era chamada de República das Carretas", diz o professor Vanderlei Rodrigues. Em 1840, diante do cerco das milícias imperiais aos farrapos, Almeida determina a criação de uma planta para a nova povoação que viria a ser Uruguaiana. Como ministro da Fazenda da República Riograndense, queria uma vila de apoio ao comércio com Buenos Aires. As forças imperiais haviam conquistado as cidades de Pelotas, Rio Grande e Porto Alegre, cortando o intercâmbio comercial desses entrepostos com o interior da Província.

Em 1846, Uruguaiana é fundada. Almeida morreu aos 74 anos, em 1859, em Pelotas. Uruguaiana retribuiu seus gestos com uma estátua em praça pública.

A cidade ganha o reforço do capital estrangeiro

O saladeiro que hoje se desmancha em ruínas no extremo oeste do Estado, na localidade de Barra do Quaraí, na fronteira com o uruguai, é o que sobrou da principal atividade produtiva de Uruguaiana do começo desse século. Marca de um passado de pujança econômica, o Saladeiro Quaraí foi uma das principais indústrias da região entre 1887 - quando foi inaugurado - e 1947, ano de seu fechamento.

A data culmina com o surgimento dos primeiros frigoríficos do Estado. Até a década de 30, charqueadas como o Saladeiro Quaraí foram responsáveis pelo crescimento econômico da região.

Numa época em que Uruguaiana carecia de outros empreendimentos, a instalação do saladeiro foi responsável por uma série de benefícios para a região. O professor de história Hamilton Rodrigues comenta que o saladeiro instalado na Barra do Quaraí era um dos maiores da região e recebia investimentos de capital estrangeiro.

"A sua instalação na fronteira com Uruguai e Argentina era estratégica, pois, além de receber gado uruguaio para abate, todo o escoamento da produção era feito por ferrovias até Montevidéu, onde seguia para o Exterior", explica.

Rodrigues observa que os investimentos de capital privado deram um impulso à economia e à infra-estutura da região. A ligação ferroviária entre Uruguaiana e Montevidéu, a instalação de uma indústria de velas e sabão para aproveitanemtno de subprodutos do abate de gado e uma fábrica de queijos surgiram a reboque dos saladeiros. Rodrigues lembra que o negócio era altamente rentável no ano de 1900. "O saladeiro da Barra do Quaraí chegou a abater 3000 mil cabeças de gado naquele anos para abastecer o mercado externo", conta.

Uma das últimas testemunhas vivas daquele tempo, o uruguaio Marcelino Silva, 84 anos, recorda os tempos em que estendia os charques no varais. "Era uma época de fartura. Abatíamos 300 cabeças de gadopor dia numa jornada que começava ás 3 horas da manhã e se estendia té o final da tarde", lembra. Silva recorda que trabalhavam ali cerca de 150 empregados, além de centenas de tropeiros que conduziam as tropas de gado de toda a fronteira. "Havia até uma banda para diversão dos empregados com maestro inglês", diz o aposentado.


Uruguaiana - aspectos da fundação - gentileza de Luiz Felipe Menezes Silva - Fonte de pesquisa: URUGUAIANA, Imagem viva da terra gaúcha - Câmara Municipal

A cidade de Uruguaiana foi fundada por Domingos José de Almeida, Mineiro, nasceu a 09 de julho de 1797 no distrito de Diamantina, em Minas Gerais.

Domingos José de Almeida veio para o Rio Grande do Sul para fazer fortuna no negócio de mulas, que seriam vendidas em São Paulo e Minas Gerais, fixou residência em São Francisco de Paula (atual Pelotas), onde juntou-se ao movimento do Farroupilhas em 1835.

A nossa cidade foi fundada pela necessidade de um ponto de apoio ao exército revolucionário, e para controle desta região que se ressentia da falta de segurança, visto que agiam nestas fronteiras grupos de bandoleiros, sendo escolhido para tal missão o cidadão Joaquim dos Santos Padro Lima, isto feito pelo Ministro da Fazenda Domingos José de Almeida. Foi escolhido um ponto estratégico entre a barra do Ibicuí e o passo de Santana Velha. Ali, na confluência do Guarapuitã com o rio Uruguai, formou-se um acampamento militar, e juntamente um conjunto de aproximadamente 100 ranchos, porém não havia nenhuma capela. Em 1839 surge a idéia de transferir a povoação para um lugar mais seguro, visto as enchentes freqüentes no local.

Na época era comandante militar desta fronteira o General Davi Canabarro, e teve importante influencia na decisão da escolha da mudança da povoação. O novo local escolhido foi a coxilha do Capão do tigre a poucos quilômetros dali, terra que pertencia a Couto Rico, surge então a povoação de Uruguaiana às margens do Rio Uruguai, formada por pessoas vindas de vários recantos da província.

Como estas terras pertenciam ao município de Alegrete, o General Bento Gonçalves da Silva, então Presidente da Província de Peratini, sanciona por decreto de 24 de Fevereiro de 1843 autorização para instalação de uma Capela Curada no local e a imediata transferência das moradias do passo de Santana Velha, como também a construção de um posto fiscal e prédio para posto de milícias. Pelo decreto fica determinado que o nome da nova povoação será "CAPELA DO URUGUAI".

Por lei provincial nº 58 de 29 de maio de 1846 a povoação de Santana foi elevada a categoria de vila, que se chamará URUGUAIANA, sendo assim o território desmembrado de Alegrete, e em 24 de abril de 1847, uma comissão veio a vila para instalação do novo município e também da primeira Camará Municipal, tendo como presidente da mesma e do governo do município o vereador Venâncio José Pereira.

Por lei nº 808 de 06 de abril de 1874 a Uruguaiana foi elevada a categoria de Cidade. A lei foi assinada pelo Bacharel João Pedro Carvalho de Morais, então Presidente da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul.

No ano seguinte por lei nº 865 de 29 de março de 1875, foi ciada a COMARCA DE URUGUAIANA. Até esta data Uruguaiana, juntamente com Itaqui, Cruz Alta e São Borja, pertenciam a Comarca de Alegrete.

De janeiro de 1890 a junho de 1892 governou o município de Uruguaiana uma comissão de intendentes formada por cidadãos de destaque na vida do município constituida por Dr. Joaquim Vaz do Prado Amaral, Dr. Antônio Gomes Pereira, João Saturnino Reis, Vitor Pereira da Silva e Urbano José Vilela. A 27 de Outubro de 1892, Uruguaiana tem aprovado seu Conselho Constituinte e a sua Lei Orgânica, e através dela foi nomeado o Coronel Gabriel Rodrigues Portugal como primeiro Intendente para o quadriênio seguinte, este governou de 1892 a 1900.

Hino de Uruguaiana

Letra e música: Silvio Rocha


Uruguaiana
Feliz tu nascestes
À beira de um rio
Sorrindo ao luar

Uruguaiana
Cidade alegria
Ouve a melodia
Deste meu cantar



É um canto modesto
Que é o manifesto
Do meu coração
Ele quer adorar-te
Pois tu fazes parte
Do nosso torrão



No jardim do meu país
És também uma flor
O teu povo é feliz
Vivendo neste esplendor

Cidade fronteira
És toda coberta
De um céu cor de anil
Tens a honra mais bela
De ser sentinela
Do nosso Brasil



Brasão e Bandeira de Uruguaiana

Brasão de Uruguaiana
Brasão de Uruguaiana

Bandeira de Uruguaiana
Bandeira de Uruguaiana

Origem: Material recolhido do fascículo especial do jornal Zero Hora, do dia 04/12/96, chamado "Origens do Rio Grande", tendo sido as reportagens efetuadas por:

James Marlon Görgen, Clarissa Eidelwein, Théo Rochefort, Klécio Santos, Marcos Fonseca, Luciane Ferreira, Mauro Maciel, Carlos Fonseca, Carlos Bindé, Marielise Ferreira, Itamar Pelizzaro; edição de Moisés Mendes e Mário Marcos de Souza; arte de Leandro Maciel, planejamento gráfico de Daniel Dias e Luiz Carlos Py; coordenação de Clóvis Heberle.

Editado por Roberto Cohen em 20/11/2003.