Taquara

(07/01/1888)

Taquara nasce nas terras de Tristão

O governo imperial não foi o único agente na colonização do nordeste do Rio Grande do Sul. Em algumas regiões, a tarefa de assentar famílias de imigrantes europeus em terras selvagens também ficou a cargo de proprietãrios de sesmarias.

Em Taquara, o responsável pela venda dos lotes era Tristão José Monteiro. Dono de grandes áreas na zona de São Leopoldo, ele comprou a sesmaria de Antônio Borges de Ameida Leães.

"Tristão veio para cá com a intenção de colonizar", afirma o pesquisador Adelmo Trott, 75 anos. Agrimensor (medidor de terras) por profissão, Tristão tratou logo de demarcar os terrenos de 48 hectares.

Em 4 de setembro de 1846, a colônio Mundo Novo estava pronta para ser ocupada. Faltava apenas encontrar os colonos que povoariam as margens dos taquarais do Rio dos Sinos. Missão que não foi muito difícil para um homem bem informado.

Cerca de duas décadas antes, a imperatriz Leopoldina havia tentado estabelecer imigrantes alemães no sul do Brasil para produzir linho-cânhamo (fibra vegetal utilizada na manufatura de tecidos). o projeto tinha fracassado porque a planta não se adaptara ao clima local. Os alemães ficaram sem perspectivas.

Foi no meio deste naufrágio que Tristão lançou seu salva-vidas. Acenando com um preço acessível por lote (300 mil réis) e solo fértil, o sesmeiro conseguiu vender seu peixe para centenas de imigrantes da colônia de Sâo Leopoldo. As primeiras sete famílias chegaram no dia 7 de setembro de 1846.

Durante os primeiros anos, os alemães procuravam trabalhar em sistema de mutirão para evitar o ataque de um inimigo feroz. Antigos donos da terra, os bugres que habitavam a região promoviam massacres para espantar os invasores.

Em 1852, Pedro Wartenpuhl foi morto por índios que sequestraram sua mulher, a filha e dois netos. Apesar das ameaças, os imigrantes provenientes da região do Hunsrück gostaram do que viram. As colônias ficavam na confluência de dois rios (Sinos e Paranhana) e eram cercadas por elevações (Encosta Inferior do Nordeste).

Não foram necessárias mais que algumas visitas às antigas colônias para que os moradores do Mundo Novo atraíssem novo interessados nos lotes reservados aos colonizadores. "Dez anos depois, aproximadamente 400 famílias já moravam em Taquara", calcula Trott. Dali integrantes destes grupos pioneiros sairiam mais tarde para estabelecer as primeiras raízes de Canela e Gramado.

Origem: Material recolhido do fascículo especial do jornal Zero Hora, do dia 04/12/96, chamado "Origens do Rio Grande", tendo sido as reportagens efetuadas por:

James Marlon Görgen, Clarissa Eidelwein, Théo Rochefort, Klécio Santos, Marcos Fonseca, Luciane Ferreira, Mauro Maciel, Carlos Fonseca, Carlos Bindé, Marielise Ferreira, Itamar Pelizzaro; edição de Moisés Mendes e Mário Marcos de Souza; arte de Leandro Maciel, planejamento gráfico de Daniel Dias e Luiz Carlos Py; coordenação de Clóvis Heberle.

Editado por Roberto Cohen em 20/11/2003.