Santa Maria

(17/05/1858)

Um posto indígena, pertencente a uma das estâncias missioneiras, seria a origem de Santa Maria, segundo Hemetério José Veloso da Silveira. No entanto, José de Saldanha, engenheiro e astrônomo da Comissão Demarcadora de Limites entre Portugal e Espanha, instituída pelo Tratado de Santo Ildefonso (1777), não fez, em seu diário resumido, nenhuma referência à existência de qualquer povoamento de índios ou brancos.

Em 15 de abril de 1787, Saldanha chegou e acampou na margem ocidental do passo sobre o arroio de Santa Maria, hoje Passo da Areia, denominando o local como "Rincão de Santa Maria".

Em 1789, Francisco Antônio de Amorim recebeu em sesmaria o Rincão de Santa Maria, vendendo-o, em seguida, ao padre Ambrósio José de Freitas, que em 1794, com permissão do bispo do Rio de Janeiro, oficia missa no oratório de sua estância, localizada às margens dos arroios Santa Maria e dos Ferreiros, atualmente denominados Cadena e da Ferreira.

No ano de 1789 o território atual do município foi quase totalmente dividido em sesmarias e, em consequência de desentendimentos ocorridos entre os demarcadores espanhóis e portugueses, a Segunda Sub-Divisão da Comissão Demarcadora de Limites, chefiada por Francisco João Róscio, instalada em Santo Ângelo das Missões, recebe ordens de recolher-se à proteção da Guarda Portuguesa, instalando-se em novembro de 1797 em área da estância do padre Ambrósio, local onde hoje se encontra a rua do Acampamento, dando origem assim a antiga denominação do município: Acampamento de Santa Maria da Boca do Monte.

Agosto de 1801 assinala a extinção da Comissão Demarcadora, bem como a retirada da maioria de seus componentes. Pouco a pouco os ranchos do Acampamento vão se modificando, transformando-se em construções mais sólidas, nas primeiras ruas, a de São Paulo ou Acampamento, a Pacífica, hoje Dr. Bozano, e a estrada da Aldeia, mais tarde avenida Ipiranga e hoje Presidente Vargas.

Junto com o progresso, chega a luta contra os orientais e Santa Maria passa a ser um centro de atividades militares e de comércio.

O Oratório do Acampamento de Santa Maria da Boca do Monte foi elevado a Curato em 28 de julho de 1810 e provido a 27 de julho de 1812 o padre Antônio José Lopes como cura, tomando posse somente em 21 de janeiro de 1814.

Com a elevação de Cachoeira a categoria de vila e município, em 26 de abril de 1819, Santa Maria passou a constituir seu 4º distrito, que estava dividido em dois sub-distritos: Santa Maria e Pau Fincado.

Em abril de 1812, o sábio e naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, ao visitar o povoado, contou cerca de 30 casas, mas o primeiro censo só foi feito cinco anos depois, apontandop a existência de 304 prédios e cerca de dois mil habitantes.

Com o estacionamento do 28º Batalhão de Estrangeiros em 1828, seguido pelo 1º Batalhão em 1831, os quais eram constituídos de alemães assalariados para a luta contra os orientais, muitos de seus membros aqui ficaram ao dar baixa, atraindo desta forma novos colonos germânicos de São Leopoldo e municípios vizinhos.A Revolução Farroupilha inicia em 1835 e o povoado começa a sofrer o êxodo e a intranqüilidade. Neste período é elevado a categoria de Freguesia de Santa Maria da Boca do Monte., em 17 de novembro de 1837.

Em 16 de dezembro de 1857 é elevada a categoria de vila, emancipando-se de Cachoeira. Mas somente em 17 de maio de 1858 foi solenemente instalada sua primeira Câmara Municipal, presidida pelo coronel José Alves Valença e integrada por João Tomás da Silva Brasil, João Pedro Niederauer, Maximiano José Appel, Veríssimo de Oliveira, Francisco Pereira de Miranda e Joaquim Moreira Lopes.

A 6 de abril de 1876 foi elevada a cidade, sofrendo, como outros municípios, a crise resultante da guerra e das lutas políticas entre conservadores e liberais, no derradeiro período do Império.

Hoje, com uma população de aproximadamente 250 mil habitantes, Santa Maria é uma das maiores cidades do Rio Grande do Sul e um importante centro militar e estudantil do Brasil.

Origem: extraído do jornal A Razão de Santa Maria, gentileza de Carlos Bolli Motta.

Editado por Roberto Cohen em 20/11/2003.