História Movimento "O Sul é O Meu País"  

gentileza de Celso Dorvalino Deucher


ESCLARECIMENTO: Nem a Página do Gaúcho, nem eu, Roberto Cohen, apoiamos quaisquer movimentos separatistas, contudo por uma questão de democracia exibimos este manifesto, pois não há como negar a existência deste movimento na cultura gaúcha, tampouco a hombridade de seus idealizadores!

Caro Roberto,

Em primeiro lugar quero te parabenizar pelo teu trabalho em prol da Cultura e das tradições gauchas na tua página. Gostei em especial quando trataste na semana retrasada sobre o assunto SEPARATISMO. Quero te dizer (e este é o segundo assunto) que acredito piamente que a SEPARAÇÃO DO SUL É IRREVERSÍVEL. Pelo menos é o que diz o nosso CICLO HISTÓRICO.

Sou Jornalista em Brusque (e também sou orgulhosamente catarinense, e acima de tudo sulino, antes mesmo de ser brasileiro) onde tenho um Jornal chamado DIÁRIO BRUSQUENSE. Sei das dificuldades em divulgar a questão separatista a nível nacional. A globo ridicularizou nosso sentimento em 1993, quando o teu conterrâneo, Irton Marx se deixou ser usado por Brasília e sua corja. Porém, se dentro das tuas possibilidades, puderes me ajudar, agradeceria muito.

Em Brusque sou presidente da Comissão Regional do MOVIMENTO O SUL É O MEU PAÍS, bem como assumi em Dezembro passado a Diretoria de Imprensa e Marketing do MOVIMENTO no Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande). Nosso Movimento aí no Rio Grande é dirigido pelo Dr. Sérgio Alves de Oliveira e o Dr. Estrela, que deves conhecer.

Estou defendendo a tese de que A INDEPENDÊNCIA DO SUL É IRREVERSÍVEL. Para tanto, tenho pesquisado muitas coisas no Brasil e no exterior. Se tu tiveres algum material a mais, além daquele teu artigo (por sinal muito bem escrito), gostaria de ter acesso. Em anexo, te mando um breve histórico sobre o que é, e como funciona nosso movimento. Se gostares, me dá uma plugada, que te mando mais coisas.

Se puderes me ajudar te devo um baita churrasco na tua primeira visita a minha cidade. No mais desejo sucesso neste teu bravo empreendimento na Internet.

Saudações Sulistas

Celso Dorvalino Deucher (Tchê)

CARO AMIGO, AI VAI O TAL DO ANEXO...

ESCLARECIMENTO

Esta pequena cartilha é uma resumida edição dos principais aspectos que envolvem o Movimento O Sul é o Meu País, onde poderão ser constatados os fatores motivadores de sua existência, sua constituição, legalidade, seus objetivos, sua estrutura administrativa e identidade de suas principais lideranças. Destina-se ao atendimento de um reclamo das suas militâncias e simpatizantes da causa sulista. Usando uma didática acessível, o Movimento pretende que seu conteúdo, além de esclarecer, possa contribuir para a formação de uma consciência sobre as possibilidades de mudança do pseudo regime federativo por um regime confederado, outorgando a mais ampla autonomia dos estados brasileiros, exercitando e construindo nossa cidadania.

INTRODUÇÃO

A Constituição Brasileira de 1988 adotou o regime federalista. No entanto, trata-se de um pseudo federalismo. Na prática, vivemos um estado unitarista, cujo poder decisório está excessivamente centralizado e concentrado em Brasília. Tudo depende de Brasília ! Os estados brasileiros, por seus governadores, parlamentares e magistrados não possuem a mais elementar das autonomias para que possamos afirmar que vivemos um regime federalista. Somos robôs dos três poderes sediados em Brasília. Como unidades federativas, os estados não tem poder de decisão. Dos 315 artigos da Constituição Brasileira, apenas 4 são destinados a autonomia que os estados federados deveriam ter. Somos e praticamos, na verdade, um estado unitarista, com o centro das decisões encastelados na meca brasiliense.

Todas a análises que se possa fazer sobre o sistema unitarista de Estado convergem para a convicção de que o mesmo é caracterizado por profundas formas de injustiças, principalmente econômicas, tributárias e sociais. Transpostas para um país de dimensões continentais como o nosso, essas injustiças agravam-se ainda mais, fomentando a corrupção e disseminando a perda dos valores morais, que são estimulados pela crescente desesperança.

Surge, então, o Movimento o Sul é o Meu País, com a proposta da mudança do regime federalista para o regime confederado, que nada mais é do que a democratização do poder, através de sua descentralização e desconcentração, reconhecendo os estados brasileiros como unidades autônomas, com capacidade de fazerem suas próprias leis, auto-regulamentando suas atividades econômicas, sociais, tributárias, sanitárias, e culturais, sintonizadas com os fatores internos e inerentes a cada um dos estados, tais como sua formação étnica, sua cultura, sua geografia, sua história e seu clima.

Trata-se de uma proposta de reforma do sistema, que pretende construir uma unidade nacional calcada no respeito às diferenças regionais, e no fato de que a unidade só se consolida com a união das diversidades na sua base. Em nossa concepção, como decorrência do exercício da nossa plena cidadania, a Confederação afigura-se como a alternativa que pode criar uma sólida confiança de que o Poder será exercido institucionalmente pelo seu legítimo proprietário: o cidadão.

Adilcio Cadorin - Presidente

CARTA DE PRINCÍPIOS

1.0 . DAS FINALIDADES: O "Movimento O Sul é Meu País" é uma instituição criada com a finalidade de elaborar estudos para avaliar as possibilidades de emancipação política e administrativa dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, desencadeando um amplo debate na Região Sul sobre o tema da autonomia, através da reforma do regime federalista, com a adoção do regime confederado.

2.0 . DA FORMALIZAÇÃO E LEGALIDADE: Esta instituição foi criada em 17.05.92, tendo sua sede na cidade de Laguna - SC, onde está registrada no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas sob número 363 - Fls.186 do Livro A-3, e inscrita no CGC-MF sob número 80.961.337/0001-02, funcionando atualmente na Av. Senador Galotti, 1000, - Tel. (048) 647-1873 - E-MAIL: sul@informatec.com.br - Caixa Postal 178 - CEP 88.790.000. Laguna/SC

3.0 . DA FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA: Fundamenta-se no Art. 4, item III, (Direito a autodeterminação dos povos), Art. 5, itens IV, VII, XVI, XVII, XIX, XXI (Direito e liberdade de pensamento e direito de organização para expressar e divulgar o pensamento) da Constituição Federal.

4.0. DA FUNDAMENTAÇÃO SOCIOLÒGICA AO DIREITO DE AUTODETERMINAÇÃO

Respalda-se na regra do milenar do Direito Natural de que os povos tem direito a sua autodeterminação, desde que a população emancipanda expresse este desejo. Regra considerada "divina", existente desde os primórdios das democracias exercidas nas cidades/estados gregas e no antigo Senado Romano, onde afirmava-se que o direito à autodeterminação é uma lei natural, que não precisa ser escrita, e depois pelas modernas e crescentes doutrinas sociológicas, este princípio é acatado por todas as nações democráticas do Planeta, entre elas o Brasil, através do art. 4o. de sua Constituição. Países como os Estados Unidos, a Inglaterra e outros que possuem uma constituição com pouco mais de vinte artigos, reconhecem expressamente e dedicam capítulo especial a este preceito do direito natural. A ONU adotou o direito à autodeterminação como principio basilar, de onde deriva e sustenta-se sua existência.

5.0 . DOS COMPROMISSOS:

Durante estes anos de existência, o Movimento realizou mais de uma dezena de congressos e seminários, de onde foram surgindo e sendo aperfeiçoados os compromissos que, após apresentados, discutidos e aprovados por suas lideranças, passaram a integrar a Carta de Princípios, que pautam o comportamento e as atividades de todos os órgãos e lideranças do Movimento:

5.1 . COM A DEMOCRACIA, repudiando o emprego de violência ou de grupos paramilitares;

5.2 . CONTRA A DISCRIMINAÇÃO, pautando-se contra qualquer forma de manifestação ou ato discriminatório, seja ideológico, teológico, sexual, étnico, cultural, ou social;

5.3 . COM A CONSULTA POPULAR, através da realização de referendum e pesquisas para aferir a vontade da população, se deseja ou não a autonomia dos estados brasileiros;

5.4 . COM ESTRUTURA ADMINISTRATIVA HORIZONTAL, ampliando autonomia às diversas comissões regionais, municipais e especiais, sem cercear suas iniciativas;

5.5 . COM O DESPERTAR DE CONSCIENCIA, através de promoção de seminários e debates com os diversos segmentos da população;

5.6 . COM A TRANSPARÊNCIA tornando público e deixando a disposição de pessoas ou organismos todos os atos e a didática praticadas pelo Movimento;

5.7. COM A BUSCA DO RECONHECIENTO INTERNACIONAL, junto às entidades internacionais, que deverão reconhecer nossa legitimidade em buscar o direito de autonomia e de escolhermos a forma e o sistema de governo através dos procedimentos democráticos, recusando, expressamente, a ingerência de pessoas, grupos ou instituições de além das fronteiras nacionais.

6.0. DOS FATORES QUE MOTIVAM A BUSCA DA AUTONOMIA:

Diversos têm sido os fatores que nos impulsionam na direção da busca de nossa autonomia administrativa e política, e é necessário torna-los públicos, pois a grande maioria da população sulista desconhece nossa potencialidade. Foi com este propósito, após a troca de pensamentos convergentes, em sucessivos encontros que elaboramos o presente trabalho, cujo desiderato maior é apresenta-lo aos sulistas que sonham com a autonomia, como forma de contribuição à mais rápida e eficiente forma de levarmos a cabo o exercício do direito à nossa autodeterminação.

6.1 . Fatores políticos: o não respeito, na prática da regra constitucional de que todos são iguais perante a lei, permitindo que a representação parlamentar seja viciada. Cinco estados do Norte e do Nordeste, com 3 milhões de eleitores elegem 15 Senadores e 46 deputados federais. Santa Catarina, também com 3 milhões de eleitores, elege apenas 3 senadores e 16 deputados federais. Esta perniciosa representação parlamentar quebra do preceito estabelecido na Constituição e igualdade entre os Estados. A existência de uma política financeira que premia a especulação e penaliza a produção. A atual ausência de autonomia legislativa que deveria ser conferida às Assembléias Legislativas dos Estados, que permita legislar sobre matéria cultural, providenciaria, sanitária, penal, tributária e outras. O descaso com que o Sul tem sido distinguido permanentemente, relegando sempre a um segundo plano os projetos e os anseios da Região Sul do Brasil.

6.2 . Fatores Tributários: A abominável sangria tributária a que a região Sul está submetida e a má distribuição do bolo tributário que privilegia regiões, discriminando outras, bem como a má distribuição do nosso esforço tributário que contempla oligarquias políticas e monopólios econômicos do Norte e Nordeste, prejudicando as populações carentes daquelas regiões. A permanente discriminação orçamentaria, que relega a Região Sul a quase inexistência de investimentos federais;

6.3 . Fatores Econômicos: O potencial que demonstra ser a região Sul superavitária em sua balança comercial, viabilizando o projeto em termos econômicos.

6.4 . - Fatores Geográficos: Com uma área de 577.000 quilômetros quadrados a Região Sul, composta pelos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande. do Sul, apresenta uma situação geográfica altamente favorável. Possuímos planaltos, planícies, serras, matas, rios navegáveis, um litoral imenso e um clima temperado, que nos toma uma região agrícola altamente produtiva, facultando-nos as mais diversificadas culturas. Esta geografia apresenta ainda potencial. turístico que inexiste na grande maioria dos países que têm no turismo uma de suas atividades mais importantes. O litoral catarinense é prodigioso em turismo e pesca. As serras gaúchas e catarinenses são conhecidas no exterior pela sua neve e clima de inverno. Os rios navegáveis e suas cataratas além de gerarem toda a energia que necessitamos, deslumbram o mundo, Nosso litoral, com mais de 1500 quilômetros e seus cinco Portos em atividade, causam inveja a países já desenvolvidos. A Região Sul confina com três países do Cone Sul: Paraguai, Uruguai e Argentina, com quem partilhamos um intercâmbio comercial: O Mercosul, além das afinidades existentes pela geografia, clima, etnia e no campo das atividades culturais. Um aproveitamento racional desta geografia nos trará autonomia no campo energético, na indústria turística, na agricultura, na pecuária e em muitos outros campos das atividades econômicas, além de nos permitir um sistema natural de escoamento de produção. Em extensão geográfica, a Região Sul é maior do que 116 dos atuais 193 países existentes.

6.5 . Fatores Culturais: Com uma miscigenação de raças composta por europeus, africanos, americanos e asiáticos em menor escala, somos detentores de uma diversificadíssima cultura, que se expressa através dos costumes e das tradições que esta região cultiva, de onde se projetaram expressões artísticas para o mundo inteiro.

6.6 . Fatores Sociais: A crescente pauperização da população sulista e a acentuada degradação social, com a proliferação das condições subumanas, são fatores que causam indignação, principalmente porque não existe perspectiva de reversão deste caótico quadro.

6.7 . Fatores Morais: A falta de investigação seria e veloz nas constantes e crescentes denúncias de estelionato, de peculato, de formação de quadrilha e de locupletação com o erário público, com a impunidade que graça nos altos escalões do sistema federativo brasileiro, nos fazem acreditar na veracidade e atualidade das afirmações de Rui Barbosa: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto".

6.8 . Fatores Históricos: Por fatores semelhantes aos atuais, nossos ancestrais já empunharam a bandeira da autonomia. A República Juliana e a República do Piratini são testemunhas seculares de que não estamos fazendo nada de novo, apenas dando vazão ao centenário ideal de autodeterminação. A Guerra do Contestado, a Revolução Federalista de 1893, a Revolução de 1930, a República de Lorena e a eclosão de outros movimentos bélicos ocorridos nas diversas regiões que compõem os três estados sulistas, nos legam a consciência de que a falta de autonomia, sempre foi objeto de insatisfação sulista, seja plena ou parcial, motivo pelo qual entendemos que somos a continuação de história inacabada, que nos outorgou fortes exemplos de que somos herdeiros de uma personalidade aguerrida e que sabemos lutar para defender nossos ideais.. Nós, os sulistas, quando o combate tomava-se inevitável, sempre éramos chamados, desde os tempos do Império, ora para consolidar governos e formas de governo, ora para fixar e expandir fronteiras brasileiras. Não é sem razão, que o sulista sempre afirmou orgulhoso, que as fronteiras brasileiras se consolidaram na "ponta de sua lança e nas paras de seus cavalos", Somos um povo que tem seu passado escrito com o sangue e o trabalho de nossos ancestrais, e exatamente por termos consciência deste patrimônio histórico, é que nos sentimos responsáveis pela história que haveremos de deixar para os que vierem depois de nós. Somos amantes do trabalho e da liberdade, mas queremos ser os responsáveis pelo nosso futuro.

6.9. Fatores Étnicos: Nossa população hoje é de 23 milhões de pessoas, de predominância e origem européia (portugueses, espanhóis, italianos, germanos, austríacos e polacos), que miscigenou-se com o africano e o americano nativo. A miscigenação de raças, que absorveu cultura, costumes e tradições de três continentes, associada aos fatores climáticos e geográficos inerentes à Região Sul, moldou o perfil que é peculiar do sulista, diferenciando-o das demais regiões brasileiras. Embora possuindo um perfil étnico próprio, os grupos colonizadores originários mantiveram suas culturas e tradições, tornando-se um região que guarda e cultua uma riquíssima diversidade étnica e cultural, sem paralelo no País. Em virtude de sua semelhança na formação da ocupação étnica e localização hemisférica, guarda uma identidade e relativa semelhança cultural com os países do Prata.

PORQUE DAR AUTONOMIA E CONFEDERAR OS ESTADOS BRASILEIROS ?

A mudança do regime defendida pelo Movimento, para criação de ESTADOS CONFEDERADOS é um modelo político administrativo em que os estados membros são autônomos, e a eles cabe a tarefa de gerir e normatizar quase todas as atividades, desde economia, saúde, educação, segurança interna, justiça, saneamento, habitação, etc. Em princípio, os estados, após se submeterem a um plebiscito, se unem e formam uma CONFEDERAÇÃO, a quem delegam poderes para manutenção da segurança nacional, representa-los nas relações exteriores, administrar os serviços postais, gerar e distribuir energia, gerir o sistema financeiro e mais alguma outra atividade essencial à existência e manutenção da autonomia dos Estados Confederados. Com este sistema, os tributos seriam estadualizados, não mais sendo recolhidos pelo Poder Central. Os estados apenas remeteriam o suficiente para a administração da Confederação suprir as suas atividades. Cada Estado Membro teria suas próprias leis, substantivas e adjetivas, em consonância com costumes, cultura e tradições, permitindo que cada região assuma a sua vocação produtiva, sem a influência do Poder Central. A Constituição da Confederação teria poucos artigos. O cotidiano seria regulamentado pela legislação estadual.

Países que se aproximam do sistema confederado, como os Estados Unidos, por exemplo, possuem sua constituição com apenas 12 artigos, e em mais de duzentos anos de existência recebeu apenas oito emendas, sendo prerrogativa dos estados a edição de leis que regulamentam as diversas atividades econômicas, sociais e culturais do cidadão. A Constituição da Inglaterra possui apenas 4 artigos. A ordem é imposta com base na jurisprudência, que, por sua vez, fundamenta-se nos costumes. Tudo é normatizado com fundamento nos costumes. Desta forma, afastam-se os conflitos gerados pela excessiva intromissão legislativa do Poder Central, como ocorre no Brasil, onde a Constituição possue 315 artigos, e que depois são regulamentados por um emaranhado de milhares de leis, desconformes com os costumes das heterogêneas regiões brasileiras, e completamente desconhecidas da grande maioria da população. O sistema confederativo mais próximo de sua genuína concepção, é o da Suíça, que embora seja conhecida como Confederação Helvética, (possue mais de 600 anos), é na verdade uma mistura do sistema confederado com o federativo. A grande maioria dos países que alçaram a posição de primeiro mundo, adotam o federalismo e alguns princípios do sistema confederado, sempre fundamentando-se no princípio do respeito às diferenças regionais e liberdade administrativa, como forma de permitir o livre avanço e o desenvolvimento que determinadas regiões buscam naturalmente, fundado em seus fatores locais, tais como clima, costumes, cultura, etnia, geografia, etc.. Este respeito e a não intromissão legislativa do Poder Central, permite o desenvolvimento e o crescimento em todos os campos de atividade humana. É o caso dos Estados Unidos da América, que fez constar oficialmente em seu escudo de armas, a expressão latina "unun et pluribun", ou seja, "único e múltiplo". Deste princípio elementar, deduz-se que a unidade nacional americana está sedimentada na existência e no respeito às diferenças de cada um dos seus estados.

Em outras palavras, a expressão quer dizer que o Poder Central garante as diferenças regionais e as respeita, libertando os estados para poderem buscar livremente a sua melhor forma de normatizar suas diferentes vocações produtivas. Alicerçado neste respeito, sedimentou-se a unidade nacional dos EUA, cuja bandeira é festejada e motivo de orgulho, que seus cidadãos fazem questão de ostentar. Tomas Jefferson, o grande artífice da unidade americana, em célebre frase mostra-nos o caminho que àquela Nação percorreu para encontrar o sistema que adotou com sucesso: "Todo homem, ou grupo de homens sobre a Terra, tem o direito de escolher seu próprio governo". Duzentos anos fazem que os EUA colocaram em prática esta frase que sintetiza muito bem o segredo de seu atual sucesso. Embora com dois séculos de atraso, é hora, pois, de ser-nos permitida a livre escolha sobre o sistema de relação jurídica entre os estados brasileiros, que entendemos ser o ideal para nosso País. Fazem pouco mais de cinco anos que fomos consultados sobre a possibilidade de mudarmos a forma republicana, restabelecendo a monarquia. Porém, se por um lado nos foi permitido reconsiderarmos a forma republicana de governo, por outro lado permanentemente nos negam o direito de escolher livremente o sistema de governo que pretendemos, negativa esta que se esconde no "poder divino" dos constituintes de 1988, que instituíram a execrável e anômala cláusula pétrea da imutabilidade do pseudo sistema federativo. Com raros princípios federalistas vigindos, na verdade somos uma Nação unitarista. Basta que se confira em nossa Constituição, para constatarmos que o "federalismo brasileiro" é um deboche e uma hipocrisia, que está longe do legítimo sistema federalista, afirmação esta que comprova-se com a leitura do texto constitucional, pois de seus mais de trezentos artigos, apenas quatro foram destinados a autonomia federativa dos estados brasileiros. Num país como o nosso, de dimensões continentais, com tão variadas e heterogêneas culturas, climas, vegetação, geografia, costumes, como será possível desenvolve-lo criando uma legislação centralizadora e única ? Por melhor que se posa fazer, a lei poderá sintonizar-se com alguns estados, mas, certamente, não estará em sintonia com todos estados. E é de ser registrado que quando maior o número de leis editadas pelo Poder Central, maior será o cerceamento ao livre desenvolvimento e às vocações produtivas. Hoje existem, no País, mais de 40.000 leis, que foram editadas pelos antidemocráticos "decretos" e ainda continuam sendo editadas aos borbolhões pelas execráveis "medidas provisórias", ao sabor dos interesses da minoria dominante, que encastelou-se em Brasília e ali competentemente representa os monopólios econômicos, os donos do sistema financeiro e as oligarquias familiares nordestinas!

A perpetuação deste sistema centralizador e injusto, que desrespeita costumes, cerceia as vocações regionais e nos nega o direito de nossa autodeterminação, deixa um rastro de exclusão social, de acentuados e crescentes processos de pauperização e desníveis sociais, gera a corrupção e a impunidade, e o que é pior, frusta o entusiasmo, anula o exercício da cidadania e rouba-nos o amor pátrio, fazendo com que, gradativamente, tenhamos a convicção de que, a despeito de nosso amor e dedicação ao trabalho, estamos construindo uma Nação que caminha em direção contrária a estrada percorrida pelos povos que construíram os países que hoje integram o primeiro mundo. Aqui no Brasil, sobre a possibilidade de adotarmos o regime confederativo, o sistema cala-se e a grande imprensa, sua cúmplice, faz seu papel, negando-se a publicar o assunto. Resta-nos tão somente a esperança de que a sociedade desperte de seu "berço esplêndido", e revolucione as arcaicas estruturas de dominação que nos submetem. A história dos povos desenvolvidos foi escrita com grande participação e o suor (e muitas vezes com o sangue) de seu próprio povo, que atropelou suas lideranças políticas e impuseram as transformações para alçarem suas invejáveis posições atuais.

O MOVIMENTO É POLÍTICO ???

O Movimento O sul é o Meu País é uma organização suprapartidária, não possuindo nenhuma vinculação com os atuais partidos políticos, pois entende que a mobilização e concientização dos ideais preconizados, deve estar aberta a todos os segmentos ideológicos. Esta posição deve-se ao fato e necessidade de aprofundar-se o debate em uma direção apenas: a busca da autonomia dos estados brasileiros, que permanecerão unidos nos aspectos que convergirem os seus respectivos interesses. Por enquanto, o Movimento não aborda as questões relativas à forma de governo que os estados deverão ter, nem tampouco quando aos sistemas que deverão ser adotados, ou as ideologias que deverão prevalecer nas futuras organizações partidárias que se formarão regionalmente. Estas discussões ficam relegadas a um segundo momento, posto que o importante no momento é o compromisso do Movimento com o despertar de uma conciência que se posicione contra o centralismo e unitarismo brasileiense. Hoje militam no Movimento lideranças pertencentes a quase todos os partidos existentes, que convergem para este posicionamento, colocando suas posições ideológicas em segundo plano. Sem dúvida, é uma organização política, mas não partidária, de atuação suprapartidária.

COMO ESTÁ ESTRUTURADO O MOVIMENTO ???

O Movimento O Sul é O Meu País está dividido em três comissões independentes e autônomas, localizadas nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Aqui em Santa Catarina, existe uma Comissão Estadual, que é subdividida em vinte comissões regionais, que por sua vez subdividem-se em diversas comissões municipais, que hoje atingem mais de um terço do Estado de Santa Catarina.

Visite o site: www.osulemeupais.cjb.net

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