Piratini

(07/06/1932)

O cenário da proclamação da República

A província do Rio Grande do Sul vivia momentos de tensão em 1835. O descontentamento com a política do governo central e a oposição entre conservadores e liberais, o estopim da Revolução Farroupilha, praticamente antecipavam o longo período de confrontos armados. Cerca de duas semanas depois de um grupo de rebeles farroupilhas ter ocupado Porto Alegre, cem homens deflagravam o movimento na Vila Piratini, comandados pelo capitão de milícia Antônio José de Oliveira Nico e por Domingos de Souza Neto. As primeiras colunas de farrapos marcharam pelas ruas estreitas da vila, a 8 de outubro, sob a aclamação dos piratinenses.

Por sua localização estratégica, no alto da Serra do Sudeste, e pela existência de dezenas de prédios proximos para a instalação dos comandos revolucionários, a vila tornou-se o centro de operações do movimento. Em dezembro de 1832, o coronel Souza Neto passou a chefiar a Legião de Guardas Nacionais da Comarca de Piratini, formada por quatro companhias recurtadas em Piratini, Canguçu, Cerrito e Bagé. Com 28 anos, comandou a coluna farroupilha que venceu, em 10 de setembro de 1836, em Seival, as tropas imperiais de Silva Tavares.

A vitória dos integrantes da Primeira Brigada Liberal marcou um dos acontecimentos militares mais importantes do movimento e despertou o desejo de emancipação dos farrapos. Na noite do combate de Seival, ainda sob a euforia da vitória, o capitão Manoel Lucas de Oliveira e Joaquim Pedro Soares foram até a barraca de Neto para convencê-lo a opcuar o posto de general-em-chefe do exército e proclamar a República.

Ali mesmo escreveram os rascunhos da proclamação. No dia seguinte, 11 de setembro, antes de sair o sol, as tropas já esperavam o futuro general nos campos dos Menezes, à margem esquerda do rio Jaguarão. Neto apareceu a galope. Postou-se ao centro da tropa, ergueu a espada e anunciou a proclamaão da República Rio-grandense. Dois meses depois, a Vila de Piratini tornou-se capital, e o general Bento Gonçalves da Silva foi eleito presidente da República, mesmo estadno preso há um ano no RIo de Janeiro e em Salvador.

Piratini permaneceu como capital por mais dois anos. Por motivos estratégicos, a capital foi transferida para Caçapava do Sul e, mais tarde, para Alegrete. Enfraquecida, a cidade levaria novo golpe. Um ato do governo provincial fez com que Piratini retornasse à categoria de vila. Iniciava-se o declínio.

A chegada dos açorianos

O surgimento de Piratini ocorreu com a chega de Açorianos em terras que a Coroa Portuguesa trocou com o sesmeiro José Antônio Alves. Por ordem da Rainha Maria I, a região - localizada no cume de uma coxilha, nas proximidades dos rios Camaquã e Piratini, onde hoje se localizada a cidade - foi dividida entre 48 casais portugueses. Ali, a partir de 1789, eles construíram suas casas de arquitetura singela, com alinhamento de duas janelas e porta na fachada. Um dos primeiros prédios erguidos pelos habitantes foi uma pequena capela, no centro do povoado, dedicada à Nossa Senhora da Conceição. O lugar ficou conhecido como Capela de Piratini, por estar perto do rio. A primeira casa construída em Piratini ficava nos fundos da capela e existe até hoje.

O crescimento da população e a prosperidade da criação de gado e do cultivo, principalmente de linho e trigo, atraíram novos habitantes e despertaram a atenção do governo imperial, que decidiu elevar o povoado, em 1810, à categoria de freguesia. Nesse período, moradores abastados começaram a construir casas em volta da capela, que havia sido ampliada pelo reverendo Jacinto José Pinto Moreira, primeiro vigário de Piratini.

Em 20 anos, o povoado cresceu, ganhou novos prédios e uma capela ainda maior, com portas em arcos e duas torres em estilo gótico. Em dezembro de 1832, com cerca de 80 prédios, entre eles seis sobrados e uma cadeia, a então freguesia tornou-se Vila de Piratini. As poucas ruas ainda não tinham calçamento e a água potável chegava à população apenas por duas fontes naturais, conhecidas como Fonte dos Pinheiros e Fonte da Terra.

A vila era iluminada por querosene e servida por um demorado sistema de correio, que transportava cartas até a Vila São Francisco de Paula (hoje Pelotas) três vezes por semana. No mesmo ano, a vila foi desmembrada do município de Rio Grande, mas seu território continuou abrangendo uma grande extensão, onde estão hoje seis municípios da Região Sul do Estado.


O material a seguir foi extraído do livro "Município - Teu nome é um sucesso" - organizado pelo Dep. Giovani Cherini da Comissão de Assuntos Municipais da Assembléia Legislativa do RS, editado em 2001.

Piratini ou "Piratinin" (denominação primitiva) teve, em 1789, o início do povoamento com 48 casais de açorianos. Ali, ergueram uma capela em honra de Nossa Senhora da Conceição do Piratini. Em 1835, nela instalou-se a capital da nova República Farroupilha.

Piratini ou Piratinin (denominação primitiva) que na língua tup-guarani significava "peixe barulhento", teve em 1789 o início de seu povoamento com 48 casais, origunda do arquipélago dos Açores.

Os primeiros povoadores ao chegarem, estabeleceram-se no local denominado "Capão Grande do Piratini" e fundaram uma capela em honra a Nossa Senhora da COnceição, desde então, padroeira da cidade. No cenário político do país, Piratini tornou-se célebre durante a Revolução Farroupilha, por ser a Capital da República Rio-grandense. Piratini é identificada como a própria alma do Rio Grande. Por todo Estado está sempre presente o seu nome, inclusive na Sede do Governo Estadual, o "Palácio Piratini".

Além dos primeiros povoadores de origem portuguesa-açoriana, hoje fazem parte da população outras etnisdas, como alemães e italianos. Vale a pena conhecer e percorer as centenárias "ruas" por onde ressoaram as esporas ao tropel dos corcéis farrapos.

Nomes anteriores: Capão Grande de Piratini, Nossa Senhora da Conceição de Piratini.

Município mãe: Rio Grande.


O material a seguir foi extraído do Jornal Correio do Povo, edição on-line, endereço www.correiodopovo.com.br, do dia 09 de dezembro de 2003, terça-feira, seção de turismo.

Piratini vive em função da grande revolução

Cidade conserva arquitetura dos tempos coloniais

A capital da antiga República Rio-Grandense, Piratini, preparou uma verdadeira viagem no tempo para contar a seus visitantes os aspectos políticos e administrativos da Revolução Farroupilha. Um grupo de 15 atores do Núcleo de Artes Piratinense (Napi) se insere entre os visitantes no passeio pelo Centro Histórico, com três prédios tombados pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e outros 15 pelo patrimônio estadual, reproduzindo cenas do período pelas ruas e casario com a arquitetura da época do governo do presidente Bento Gonçalves.

A cidade era importante aos farroupilhas por ser de fácil defesa, em função de sua importante posição estratégica, em uma região cercada de morros. Construído em 1826, o Palácio do Governo era a sede da República Rio-Grandense. O prédio mantém características coloniais, sendo único do gênero no Estado, com fogão gaúcho de chão e chaminé de sete bocas, em estilo árabe. O palácio também possui pátio interno com poço, que favoreceu a resistência às tropas imperialistas. No local, é encenada a assinatura de um decreto. O prédio do Ministério da Guerra, da Fazenda e Interior, de 1826, é idêntico ao sobrado.

No Museu Histórico Farroupilha estão expostas armas brancas, fardas da Guarda Nacional, lenços farroupilhas, a urna que elegeu Bento Gonçalves como presidente, o termo de posse e condecorações do líder, além do livro de orações de sua esposa, Caetana, onde eram guardados documentos da revolução, obras de arte, como um imenso painel em óleo sobre tela, que retrata a fuga de Anita Garibaldi. Também podem ser visitados a primitiva Câmara Municipal, a casa em que residiu o general Antônio de Souza Neto, a primitiva Cadeia Civil, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, o Teatro Sete de Abril, as ruínas da casa de Bento e um beco colonial. Outras informações estão à disposição através da Secretaria de Turismo, Comércio e Serviços de Piratini.

Origem: Material recolhido do fascículo especial do jornal Zero Hora, do dia 04/12/96, chamado "Origens do Rio Grande", tendo sido as reportagens efetuadas por:

James Marlon Görgen, Clarissa Eidelwein, Théo Rochefort, Klécio Santos, Marcos Fonseca, Luciane Ferreira, Mauro Maciel, Carlos Fonseca, Carlos Bindé, Marielise Ferreira, Itamar Pelizzaro; edição de Moisés Mendes e Mário Marcos de Souza; arte de Leandro Maciel, planejamento gráfico de Daniel Dias e Luiz Carlos Py; coordenação de Clóvis Heberle.

Editado por Roberto Cohen em 20/11/2003.