Guaíba

(18/10/1926)

A Ilha das Armas

O nome é o mesmo da Fazenda de Gomes Jardim. A Ilha das Pedras Bancas é um acidente geográfico cercado de abandono por todos os lados. No século passado, foi armazém de pólvora e posto de controle da movimentação dos barcos que entravam no canal. Dependendo do período, servia de local estratégico para legalistas e revolucionários. Entre 1857 e 1860, o governo construiu na Ilha das Pedras Brancas duas casas para depósito de munição.

O arsenal de guerra era fiscalizado por um tenente imperial. Transferido o material, Pedras Brancas ficou abandonada. Com 100 metros de extensão por 60 de largura e distante 2,2 kilometros da cidade de Guaíba, a ilha sempre foi fronteira entre os territórios do município e de Porto Alegre. "Por isso, até hoje não tem um dono de fato", afirma o jornalista aposentado Fernando Worm, 66 anos.

A Fazenda onde começou o levante

A Fazenda das Pedras Brancas está para a história do Rio Grande do Sul assim como o Riacho do lpiranga está para a Independência do Brasil. Na área onde é hoje o centro da cidade de Guaíba foi tramado o movimento para criação da República do Pampa. Das margens da praia da Alegria, centenas de rebeldes entraram em pequenos barcos e tomaram Porto Alegre. Nascia a Revolução Farroupilha.

Na madrugada de 18 para 19 de setembro de 1835, uma força com cerca de 100 homens avançava pelo Guaíba. A escuridão acobertava as manobras das embarcações que precisavam passar sorrateiras pelo Porto das Pedras Brancas. Na enseada, uma canhoneira imperial poderia acabar com os planos dos farrapos. Cerca de oito dias antes, Bento Goncalves da Silva, deputado e chefe de mílicias, havia deixado sua estância Cristal, em Camaquã, e partido para Guaíba. Hospedado na olaria de Francisco de Paula Monteverde, o chefe do movimento organizou o exército que afugentaria o governo do presidente da Província, Femandes Braga.

Propriedade de José Gomes Jardim, primo de Bento Gonçalves, Pedras Brancas abrigou as articulações para o primeiro ataque farroupilha. Na sede da fazenda, protegidos pela sombra de um cipreste e com ampla visão da costa de Porto Alegre, os farrapos fixaram um quartel-general a céu aberto. Dali partiam instruções para os revolucionários recrutados em Santo Antônio da Patrulha, Belém Velho, Capela, Barra do Ribeiro e Camaquã. Em número de 100, estes soldados foram agrupados em Capela sob o comando de Onofre Pires. As duas forças aliadas encontraram-se no morro da Azenha, na margem esquerda do rio, dia 19 de setembro. Poucas horas depois, os 20 soldados de cavalaria e 80 de infantaria do exército imperial eram dominados pela tropa vinda de Guaíba. O estopim para os 10 anos da Revolução Farroupilha havia sido aceso.

Origem: Material recolhido do fascículo especial do jornal Zero Hora, do dia 04/12/96, chamado "Origens do Rio Grande", tendo sido as reportagens efetuadas por:

James Marlon Görgen, Clarissa Eidelwein, Théo Rochefort, Klécio Santos, Marcos Fonseca, Luciane Ferreira, Mauro Maciel, Carlos Fonseca, Carlos Bindé, Marielise Ferreira, Itamar Pelizzaro; edição de Moisés Mendes e Mário Marcos de Souza; arte de Leandro Maciel, planejamento gráfico de Daniel Dias e Luiz Carlos Py; coordenação de Clóvis Heberle.

Editado por Roberto Cohen em 20/11/2003.