Cachoeira do Sul

(01/08/1890)

Os índios e a capela

Com o final da Guerra Guaranítica (1754-56), os Sete Povos das Missões foram sendo aos poucos esvaziados. Portugueses e espanhóis carregavam índios aculturados de um lado. No coração do Continente de São Pedro do Rio Grande, às margens do Rio Botucaraí, o capitão general do Rio de Janeiro e Minas Gerais Gomes Freíre de Andrada fundou uma aldeia. Em 1769, o governador José Marcelino de Fzgueiredo mandou colocar aqueles índios em uma área próxima ao Passo do Fandango. No local, que ficou conhecido como Aldeia, eles construíram uma capela invocando São Nicolau. Trabalhando numa olaria, os guaranis construíram suas casas e a dos vizinhos açorianos. A miscigenação foi inevitável. Uma década depois, a capela foi elevada à categoria de Freguesia e recebeu o nome de Nossa Senhora da Conceção - ali nascia Cachoeira do Sul.

Vicente da Fontoura na tricheira

Cachoeira do Sul optou pelos republicanos em episódios da Revolução Farroupilha. Terra adotiva de um dos principais líderes da inssurreição, nos primeiros meses o município dormia farroupilha e acordava legalista. Instituída a República Rio-Grandense, Antonio Vicente da Fontoura, natural de Rio Pardo, futuro ministro da Fazenda de Bento Gonçalves, foi nomeado chefe de Polícia das vilas de Rio Pardo e Cachoeira. Era tudo que o município precisava para ficar por dois anos nos braços da nova nação. O 20 de setembro repercutiu seis dias depois em Cachoeira.

Assim que os revolucionários tomaram Porto Alegre, um esquadrão e uma companhia da Guarda Nacional, comandados por Fontoura, seguiram para Rio Pardo. Um grupo de legalistas se negava a reconhecer a autoridade de Marciano Pereira Ribeiro, presidente da Província, escolhido por Bento. Quando voltaram, os cachoeirenses foram saudados com a celebração de um Te Deun na Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição. Mas os imperialistas recuperaram a capital e destituíram o presidente farrapo. Foi a vez de a Câmara de Vereadores se rebelar, até ser fechada em 01 de março de 1836. Dois anos depois, Vicente da Fontoura assume como chefe de Polícia de Rio Pardo e Cachoeira e reinstala a Câmara, que três anos depois prestava juramento de fidelidade à República instalada em Piratini. Mas, sob a ameaça do exército imperial, no dia 01 de maio de 1840 os vereadores realizaram a última sessão da Câmara Republicana.

Em 10 de junho, uma brigada legalista chegou à Cachoeira e um dia depois o major Manoel Adolpho Charão era designado para restabelecer o regime monárquico na cidade. Os vereadores foram obrigados a reconhecer Dom Pedro IIcomo Imperador e a entregar a correspondência trocada com o governo farroupilha. "As atas do período revolucionário foram arrancadas do livro da Câmara", conta a professora Ione Carlos 48 anos.

Origem: Material recolhido do fascículo especial do jornal Zero Hora, do dia 04/12/96, chamado "Origens do Rio Grande", tendo sido as reportagens efetuadas por:

James Marlon Görgen, Clarissa Eidelwein, Théo Rochefort, Klécio Santos, Marcos Fonseca, Luciane Ferreira, Mauro Maciel, Carlos Fonseca, Carlos Bindé, Marielise Ferreira, Itamar Pelizzaro; edição de Moisés Mendes e Mário Marcos de Souza; arte de Leandro Maciel, planejamento gráfico de Daniel Dias e Luiz Carlos Py; coordenação de Clóvis Heberle.

Editado por Roberto Cohen em 20/11/2003.