Alegrete

(17/02/1834)

A Revolução Farroupilha viveu dias decisivos e deu seus suspiros finais em Alegrete. Durante cinco anos, a terra natal de Oswaldo Aranha foi a terceira e última capital da República Riograndense.Neste período, os insurretos redigiram e colocaram em prática a primeira constituição republicana do Brasil. A carta farrapa daria uma sobrevida ao movimento revoltoso que já estava mortalmente ferido pela ofensiva do exército legalista. A pressão das forças imperiais fez com que os revolucionários abandonassem Caçapava do Sul em rodas de carretas em meados de 1840. Desde março do mesmo ano, porém, a sede administrativa da nação gaúcha já havia sido instalada mais ao oeste, na vila de Alegrete.

O futuro município agarrou com as duas mãos a causa separatista iniciada em 20 de setembro de 1835 com a tomada de Porto Alegre. Nos dois primeiros anos da Revolução Farroupilha, a câmara de vereadores já havia deixado de arrecadar impostos emprotesto à voracidade fiscal da corte. Planejada para ser convocada a partir de 30 de maio de 1840 ainda em Caçapava, a assembléia constituinte republicana teve de esperar algum tempo para ser colocada em prática. Em setembro de 1842, os gaúchos elegiam os 36 donos das cadeiras e 12 suplentes que escreveriam a Constituição. Naquele mesmo mês, o Barão de Caxias era nomeado presidente da Província e comandante-em-chefe do Exército de Operações do Império.

Dezembro de 1842. Bento Gonçalves abriu os trabalhos legislativos, que terminariam em 9 de janeiro do ano seguintes, em uma sessão solene no prédio do Judiciário. No discurso, o ex-deputado revelou o tom que constaria no projeto da carta: "Se julgardes conveniente legislar sobre outros objetos, lembrai-vos de que a moral pública, a segurança individual e de propriedade exigem pronta reforma nas leis que provisoriamente adotamos, pouco adequadas às nossas atuais circunstâncias."

Nascimento marcado pelo fogo inimigo

O nascimento de Alegrete foi marcado a fogo pelos uruguaios. Nos séculos 18 e 19, os vilarejos surgiam ao redor das capelas que registravam óbitos, nascimentos e casamentos. Os exércitos da Província do Prata sabiam que destruindo um templo, atrasavam o desenvolvimento. Foi o que fizeram com Alegrete. Em 16 de setembro de 1816, o então Povoado dos Aparecidos, localizado na região do Inhanduí, recebeu a visita das tropas do general Artigas. A Capela de Nossa Senhora da Conceição Aparecida ficou em cinzas. Desesperados, os habitantes buscaram socorro no acampamento do exército imperial, estabelecido à margem esquerda do Rio Ibirapuitã. Com a ajuda das forças portuguesas comandadas pelo general Thomaz da Costa, os moradores ergueram uma nova capela. Não durou muito. Em 1828, uma nova invasão - comandada provavelmente pelo uruguaio José Rivera - fez com que o fogo colocasse abaixo novamente a igrejinha. Determinados, os moradores a reconstruíram. Em homenagem ao general, a capela passou a se chamar Nossa Senhora da Conceição Aparecida de Alegrete.


"Cohen, qualquer artigo de jornal, revista, etc., que falar da história do município do Alegrete e não falar da origem do nome estará incompleto e sem sentido. O Comandante das tropas era o Marquês de Alegrete (Dom Luis Teles da Silva Caminha e Menezes) e foi ele quem fundou a Vila de Nossa Senhora Aparecida da Conceição do Alegrete, às margens do Ibirapuitã, e não o general Tomás.

Como dizemos nós os gaúchos "me desculpa o jeito". Espero que a correção tenha sido feita, por uma questão de justiça com o fundador da cidade, o Marquês de Alegrete. O Gen Tomás pouco ou nada tem a ver com a fundação do Alegrete. É obrigação nossa contribuir para resgatar a verdade histórica.

Permanecemos à tua disposição, através do meu e-mail e também na Av. João Pessoa, 567, através do Edson Otto, se eu não estiver por lá.

Luiz E. C. Giorgis - 1º Vice-Presidente do Instituto de História e Tradições do RGS

Origem: Material recolhido do fascículo especial do jornal Zero Hora, do dia 04/12/96, chamado "Origens do Rio Grande", tendo sido as reportagens efetuadas por:

James Marlon Görgen, Clarissa Eidelwein, Théo Rochefort, Klécio Santos, Marcos Fonseca, Luciane Ferreira, Mauro Maciel, Carlos Fonseca, Carlos Bindé, Marielise Ferreira, Itamar Pelizzaro; edição de Moisés Mendes e Mário Marcos de Souza; arte de Leandro Maciel, planejamento gráfico de Daniel Dias e Luiz Carlos Py; coordenação de Clóvis Heberle.

Editado por Roberto Cohen em 20/11/2003.