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O vaso de ouro



Fonte
Livro "O cavalo verde", de Luiz Coronel. Editora Mecenas, 2002.

- Mas que tal, tchê? E as Exposições, muita festa e coisa e tal?

- Bicho velho, nem te conto. Numa noite me enfezei com umas muchachas e saí a la gandaia. Terminei numa casa de tais requintes, que quando fui soltar as virilhas o vaso era de ouro. Ouro maciço, Elpídio. Até me deu um constrangimento.

- Manoelito, menos, por favor. Não te retruco, nem te contradigo, mas vamos botar esse vaso de ouro por conta dos tragos, mano velho.

- Tchê, tu sabes, se há uma coisa que me embrulha a alma e arrepia os pêlos é duvidarem de mim. Vamos apostar? A gente vai junto à capital. Mijamos no vaso de ouro, escolho um cavalo crioulo dos teus e, afora isso, uma garrafa de Ballantines. Não mijamos, babaus, o ganho é teu.

E o rebanho dos dias entrando no corredor das semanas. Um dia, desses que aparecem pendurados nas folhinhas, lá estavam o Elpídio e o Manoelito no Hotel Umbu. O nome já era uma garantia contra os raios. E saíram pela noite, os alarifes.

Um uísque, aqui não é. Um acepipe e dois uísques, também não. E vamos em frente, que casa noturna é o que não falta. E, afinal de contas, a noite é uma criança.

Lá pelas três da madruga, entraram numa espelunca onde a música deflorava os tímpanos e refestelava as pinguanchas.

Mas foi o Manoelito botar o pé no salão, que veio o grito desaforado de um tal de Manchinha, cantor da banda fuzarqueira:

- Mutuca, Mutuca, olha o cuera que mijou no teu trambone.

E foi aquele pega pra capar. Voltaram contritos para Dom Pedrito. Até hoje ninguém sabe quem pagou quem. Agora, é freqüente ver os dois comparsas, sentados, numa cadeira de rua, tomando umas que outras de Ballantines.

----- Original Message -----
From: "Mecenas" - mecenase@terra.com.br
To: cohen
Sent: Monday, December 16, 2002 8:29 PM
Subject: En: Permissão para extrair dois textos de "O CAVALO VERDE"

Roberto,

Sou Editora de Luiz Coronel e a Mecenas Projetos Culturais é uma empresa que visa editar principalmente livros sobre a terra gaúcha.

Assisti à sua entrevista no programa "Tempo de Letras" com Luiz Antonio Assis Brasil e então conheci o site "Página do Gáucho".

A escolha dos dois causos do livro "O Cavalo Verde" fica a seu critério.

Ficamos honrados em participar através da obra literária de Luiz Coronel em seu site.

Feliz Natal e próspero 2003.

Cordialmente,

Nádia Franck Bergman
Diretora