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Ramão Escobar



Fonte
Livro "Rapa de tacho 2", de Apparicio Silva Rillo. Tchê Editora. Gentileza de Bernardete Angela Manosso.

Ramão Escobar - do Itaqui, tio do compositor nativista Elton Saldanha, ora em Porto Alegre, namorava uma moça do interior do município. Pegar na mão, de que jeito? Carícias, nem se fala. A mãe da moça e o velho não afrouxavam nem no lançante.

Sempre na sala, a velha fazendo crochê e o velho mateando. O Ramão, já meio desesperado, resolveu noivar para poder quem sabe? - estar mais à vontade com a moça. Argolou-se o par e, realmente, a vigilância foi afrouxada. Puderam ficar a sós na sala; a velha vinha de vez em quando, pigarreando alto para alertar os noivos.

Numa dessas noites o Ramão aprofundou-se nas carícias e, fogoso, já estava de "bombacha cheia". Pela janela, os irmãos menores da moça - uns alarifes -, deram-se conta do estado do noivo e resolveram pregar-lhe uma peça. Quando a velha, pigarreando, entrava na sala, os guris chegaram juntos e, com cara de apressados, disseram ao Ramão, já de mão no bolso, segurando a lança:

- Seu Ramão, ligeiro! Sua égua deu uma sentada e saiu campo afora com os arreios!

Ramão constrangido, não podendo largar a lança, rija como um salame de colônia, não teve outra saída:

- Me abram a porta da frente que eu vou sair agachadito! Não há outro jeito prá pegar esta égua gaviona!

E se foi a la cria.