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Flores da Cunha



Fonte
Livro "Anedotário da Rua da Praia 2", de Renato Maciel de Sá Junior. Editora Globo.

Os atritos entre o general Flores da Cunha e o Getúlio atingiram o ponto de ruptura. Vargas queria implantar o Estado Novo e uma das barreiras a vencer era a oposição de Flores. Nas vésperas de sua renúncia e conseqüente partida para o exílio no Uruguai, em 17 de outubro de 1937, o general estava literalmente sitiado, não podendo sequer contar com a Brigada Militar, recentemente requisitada pelo comandante da 3a Região Militar, gereral Daltro Filho.

Além disso, em demonstração de força, a Marinha mandara até navio de guerra. Os amigos acorreram ao palácio apenas para solidarizar-se; nada mais havia para fazer.

Nesse ambiente soturno e de emotivas despedidas, o guarda-costas de Flores, oficial-piloto do único avião do corpo de aviação da Brigada Militar, destacou-se do grupo silencioso e, depois de pateticamente desembainhar e colocar sobre a mesa de seu chefe, disse emocionado:

- General, a minha espada está à sua disposição!

Irritadísimo com a bravata quixotesca, respondeu-lhe Flores:

- Pois então soca ela no cú, porra!




Fonte
Livro "Tenho Dito! As histórias mais engraçadas dos nossos políticos", de Paulo de Tarso Riccordi. (desconheço a editora). Gentileza de Diego G. Muller

Prudência

Flores da Cunha era apaixonado por jogo. Qualquer tipo.

Entrou no Cassino de Rivera, perdeu tudo. Já nascia o dia e lhe sobrara uma miserável nota de cem mil-réis. Numa última investida, largou-a no 17, com o revólver em cima.

Suando frio, olho grudado na arma, o crupiê gira a roleta, canta o número: - Rojo 36...y negro 17 para el general...

Peru

Numa roda de pôquer no Clube dos Caçadores, Flores recebe de mão um four de damas. Às suas costas um puxa-saco delira.

Impassível, o general dispensa o four e pede outras quatro cartas. O puxa saco se surpreende: "Oh!..."

E o general se volta, deliciado: - Sofre peru filha-da-puta!