Você está aqui

O cavalo verde



Fonte
Livro "O cavalo verde", de Luiz Coronel. Editora Mecenas, 2002.

Joveniano Centeno era flaco de corpo e largo de alardes.

Num cair de tarde de quase janeiro, apeou na venda do Noquinha e foi molhar a palavra, como era de costume. Pé no cepo, cotovelo na mesa, por lá foi se ficando numa mais outra.

Quando o lusco-fusco já aquietava os cuscos, colocou a bota fora do portal e se deparou com o seu cavalo tordilho, pintado de verde. Respirou fundo e entrou na venda, se plantando embaixo do lampião com pose de quero-quero.

- Se tem mãe de respeito, quem fez o desaforo que se apresente - gritou Jovenciano.

Lá do fundo da venda, caminhando devagar como quem trafega atoleiro, vem vindo o Salustiano, um aspa-torta com dois metros de altura e "uma feiúra de partir espelho". Vinha limpando as unhas com uma carneadeira luminosa.

- Pois o matungo na cor dos campos te serve melhor de montaria, seu maturrango - falou e disse o desabusado.

"Bêbado de susto" e atropelo, Joveniano teve apenas tempo de aliviar os acontecidos.

- Epa, epa - retrucou. - Eu só vim avisar que a primeira demão já tá seca!

----- Original Message -----
From: "Mecenas" - mecenase@terra.com.br
To: cohen
Sent: Monday, December 16, 2002 8:29 PM
Subject: En: Permissão para extrair dois textos de "O CAVALO VERDE"

Roberto,

Sou Editora de Luiz Coronel e a Mecenas Projetos Culturais é uma empresa que visa editar principalmente livros sobre a terra gaúcha.

Assisti à sua entrevista no programa "Tempo de Letras" com Luiz Antonio Assis Brasil e então conheci o site "Página do Gáucho".

A escolha dos dois causos do livro "O Cavalo Verde" fica a seu critério.

Ficamos honrados em participar através da obra literária de Luiz Coronel em seu site.

Feliz Natal e próspero 2003.

Cordialmente,

Nádia Franck Bergman
Diretora