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As melhores do João Kuiudo

Fonte
gentileza do próprio João Carlos Fortes. Sexto lugar no Multi-show do Bom-Humor Brasileiro, Rio/São Paulo.
1

Um caminhoneiro que morava no interior do Rio Grande, lá na fronteira com o Uruguai, apartou-se da mulher e ficou solito.

Quando estava em casa batia uma tristeza danada, até que andando pela feira num domingo de manhã, se interessou por um papagaio, destes faladores uma barbaridade.

Levou o bichinho pra casa, arrumou comida, água e na viagem seguinte deixou ele tomando conta da casa.

Quando ele voltou de viagem, achou tudo certinho, estranhou apenas a conta telefônica, que tinha aumentando uma loucura.

Ficou meio desconfiado, mas fazer o quê!

Retornando de outra viagem pegou o papagaio no flagra, ligando pra Itália.

- Há, é tu, seu sem-vergonha, vou te dar uma lição!

Pegou o papagaio, abriu as asinhas e estaqueou o bichinho na parede.

O papagaio triste, baixou a cabeça e ficou um tempão meditando. Quando ele levantou a cabeça, olhou no fundo da sala, viu um crucifixo e perguntou:

- Escuta, quanto tempo tu estás aqui?
- Faz quase dois mil anos!
- Mas pra onde tu ligou, animal?

2

Contam que um fazendeiro muito rico, adorava o cavalo, e o maior medo dele era morrer e ter que deixar o animal. De tanta preocupação, levou o bagual pra ser batizado. O padre, com sotaque alemão, achou uma heresia, um pecado, mas diante do argumento do fazendeiro, de repassar dez mil reais pra igreja, o padre cedeu e marcou pra depois da missa das dez.

Como era cidade pequena, a notícia se espalhou que nem fogo em palha, e de tanto o povo falar, a fofoca chegou até os ouvidos do bispo, que de vereda mandou chamar o padre para as devidas explicações:

- Padre, o senhor sabe que é pecado, que é uma heresia batizar um animal dentro da igreja!
- Sei sim bispo, só que a igreja precisava de umas reformas, e o fazendeiro, gente muito boa e tal... daí aceitei a oferta dele; com cinco mil reformei a igreja e os outros cinco, trouxe para o senhor.
- Muito bem padre, e avisa o fazendeiro que domingo que vem tem que fazer a crisma do animal!

3

Um gaúcho grosso cosa de louco, logo que chegou a luz elétrica no campo foi comprar os apetrechos para a instalação. No papelzinho que o eletricista anotou pedia uma tomada. O atendente perguntou pro cuera:

- O senhor quer uma tomada macho ou fêmea?
- tanto faz, que é pra ligar os aparelhos e não pra tirar cria!

4

Vocês sabem que gaúcho não perde vaza pra ninguém, e quando tá apertado, dá uma desculpa e pronto.

Estava o gaúcho pescando na beira de uma represa, local expressamente proibido, quando um rapaz, bem alinhado, apareceu e começou a fazer perguntas:

- O senhor mora por aqui?
- Moro!
- Pesca muito na represa?
- Pesco!
- Pegou muito peixe hoje?

O gauchão parou, pensou, vou da ruma atochada nesse cola-fina.

- Uns quarenta quilos mais ou menos!
- O senhor sabe quem eu sou?
- Não, não sei!
- Pois eu sou fiscal do Ibama, o senhor tá preso!

E o gaúcho:

- E o senhor sabe quem eu sou?
- Não senhor - disse o fiscal.
- Pois eu sou o maior mentiroso da região!

5

Uma morena alta, olhos verdes, linda, numa micro-saia de arrepiar, entra no ônibus, e os homens ficam de boca aberta. O rebuliço no ônibus é total, todos querendo ver a morena de perto; tinha uns que babavam no canto da boca.

Nisso o motorista deu uma freada e ela tentando se agarrar, acabou metendo a mão na cara de um gauchão. Ela toda atrapalhada:

- O senhor me desculpa, por favor?

E o gaudério:
- Não tem o que desculpar moça, pelo que eu tava pensando de ti, o tapa foi merecido!

6

Um operário entrou no açougue num sábado de tarde, pediu um quilo de torresmo e quando tava sendo atendido, chegou umc idadão num carrão importado e pediu cinco quilos de torresmo.

O pobre, meio sem jeito, brincou:

- É, no final-de-semana vai bem um torresminho, né?

E o outro:
- Não sei, mas os cachorros não reclamam!

7

Um bagual desempregado no interior do Rio Grande, foi até Porto Alegre, fazer um teste na Rede Ferroviária Federal, pra trabalhar como maquinista. Após a entrevista, o examinador fez uma pergunta:

- Se dois trens estiverem vindo em sentido contrário, o que tu farias?
- Bueno, eu viro a chave do desvio!
- E se a chave falhar?
- Daí eu uso o lampião sinalizador!

O examinador deu mais uma apertada:
- E se não ouver lampião?
- Bueno, vou correndo chamar meu irmãozinho.
- Mas porque vai chamar teu irmãozinho?
- Porque ele adora porrada de trem!

8

Um gaudério formou-se dentista e foi montar uma clínica lá nas grotas, nem luz tinha, era tudo na base da bateria de patrola e lanterna. Um dos primeiros clientes foi seu Aníbal, nunca tinha entrado num consultório antes, meio preocupado, sentou-se na cadeira e arreganhou a boca, cosa horrível.

O gaudério advertiu:
- Não precisa abrir tanto a boca, vivente!
- Mas o senhor não vai usar a broca?
- Vou, mas eu fico do lado de fora!

9

O gaudério entrou nervoso no bolicho e falou pros amigos:

- Como existe gente sem-vergonha, como tem pilantra nesse Brasil; vocês acreditam, mas um salafrário me pagou o serviço com uma nota de cem reais falsa.

Um amigo, louco pra ver, perguntou:
- Cadê a nota falsa?
- A sorte que eu consegui passar pra frente!

10

Um sujeito muito espero, comprava coisas no interior e revendia na capital, e ultimamente, andava na base da troca. Mas numa dessas visitas ao interior, o vivente derrubou três notas de cem reais, e um porco, solto no terreiro, engoliu as três notas.

O trambiqueiro ficou desesperado, aproveitou que o dono não estava perto, chutou o porco, e o bicho cuspiu uma nota.

Ligeiro uma barbaridade, teve uma idéia, levou o porco pra um bolicho que estava cheio de gente, de propósito, pediu uma série de coisas e, na hora de pagar, chutou o porco e a nota de cem, saltou da boca do bicho.

Ficaram todos espantados, e o dono do bolicho, cresceu o olhos e já queria comprar. O malandro não deu bola, dali a pouco chutou o porco de novo, e mais cem saltou da boca do bicho. O bolicheiro mandou fazer o preço do porco:

- Faz o preço que eu compro o bicho!
- Dois mil reais e o bicho é teu!

Negócio fechado, cheio de testemunhas, o picareta foi embora e no outro dia deu no jornal:

"Bolicheiro mata porco a pontapé!"

11

Uma viúva rica de Porto Alegre, andava louca pra arrumar um parceiro, mas naturalmente que não poderia aceitar o primeiro que aparecesse, por isso, colocou um anúncio no Correio do Povo, onde esclarecia que o pretendente precisava ser rico, herói e bem dotado.

Depois que muitos candidatos compareceram sem preencherem os requisitos, ela estava quase desistindo, quando tocou a campainha. Ela abriu uma frestinha da porta e viu um baixinho, feio e todo enfaixado, cheio de curativos.

A viúva perguntou se ele tinha entendido o aviso, e o baixinho começou a apresentar suas qualidades:

- Rico eu sou, tenho muitos apartamentos no Brasil, alguns nos Estados Unidos, fazendas... Herói acredito que também sou, pois estou aqui com os dois braços enfaixados, porque salvei duas crianças no Guaíba e uma lancha acabou me ferindo com a hélice do motor.

Porque o baixinho era feio, ela queria descartá-lo:
- Mas no aviso diz que precisa ser bem dotado!
- Se estou com os braços enfaixados, como que a senhora acha que eu toquei a campainha?