extraído do jornal
Correio do Povo
12/03/2002

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, TERÇA-FEIRA, 12 DE MARÇO DE 2002

O adeus ao 'eterno patrão' Barbosa Lessa




Barbosa Lessa deixou um legado cultural inestimável ao Estado


Num clima de comoção e respeito, foi enterrado no início da noite de ontem, no Cemitério Municipal de Piratini, o pesquisador, escritor, compositor, contista e folclorista Luiz Carlos Barbosa Lessa, que morreu na madrugada de ontem, no município de Camaquã, aos 72 anos, vítima de câncer no pulmão.

O corpo do autor da canção 'Negrinho do Pastoreio' e de livros como o premiado 'Os Guaxos' foi velado durante a manhã na Câmara de Vereadores de Camaquã e à tarde foi levado em cortejo para Piratini, sua terra natal. O caixão chegou à cidade escoltado por cinco cavalarianos do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), que Barbosa Lessa ajudou a criar em 1948. Um cavalo sem a sela, puxado por um dos cavaleiros, simbolizava a morte de um tradicionalista.

Seguindo o exemplo do governo do Estado, o prefeito de Piratini, Francisco Luçardo, declarou luto oficial. As aulas na rede municipal e o trabalho nas repartições da prefeitura foram suspensos e centenas de alunos das escolas do município acompanharam, das calçadas, a passagem do cortejo fúnebre. O secretário estadual da Cultura Luiz Marques e a primeira-dama Judith Dutra representaram o governo do Estado na cerimônia. Por volta das 17h, o cortejo saiu novamente às ruas em direção ao Cemitério Municipal. Às 18h, depois de uma série de homenagens, entre as quais a entoação da música 'Negrinho do Pastoreio', interpretada por Mário Meirelles e Grupo, o corpo do folclorista foi sepultado.

'Barbosa Lessa deixa a esta e às futuras gerações de gaúchos uma obra preciosa sobre a formação histórico-cultural do nosso Estado e o caráter do gaúcho, na qual convivem a paciência do pesquisador e a paixão por esta terra', afirmou o governador Olívio Dutra. Ele completou dizendo que, além da sua qualidade como contista, pesquisador e ensaísta, Barbosa Lessa sempre demonstrou uma postura de cidadão atuante na defesa da nossa cultura.

Em 50 anos, produziu 61 livros, peças de teatro, ensaios, músicas inesquecíveis e textos jornalísticos. Em 2000, foi patrono da 46ª Feira do Livro de Porto Alegre e recebeu prêmio da Academia Brasileira de Letras pelo romance 'Os Guaxos'. Em 1948, o tradicionalista fundou o primeiro Centro Tradicionalista Gaúcho, o CTG 35, ao lado de Paixão Côrtes e Glaucus Saraiva. Atualmente, Barbosa Lessa vivia no sítio Água Grande, em Camaquã, local que reproduzia a típica atmosfera campeira gaúcha. Sua última obra publicada foi 'Rio Grande do Sul, Prazer em Conhecê-lo', pela editora AGE, de Porto Alegre.



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